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Leilão de áreas do petróleo deve ocorrer em 2015, afirma ANP

Exploração do pré-sal, no entanto, está prevista para acontecer apenas em 2016; diretora-geral da agência diz que exportação vai superar as importações da commodity neste ano

Por Da Redação 20 Maio 2014, 17h15

O próximo leilão de áreas para a exploração de petróleo e gás no Brasil deve acontecer apenas em 2015. A sinalização foi dada nesta terça-feira pela diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, responsável por sugerir os termos de novas rodadas de licitação do setor. Caso respeitadas as sugestões da ANP, será realizado apenas um leilão em 2015, com a oferta de áreas em terra e no mar. Um novo leilão de áreas do pré-sal, por sua vez, aconteceria apenas em 2016.

“Realizamos três leilões no ano passado, um em maio, o segundo em outubro e outro em novembro. O leilão de novembro é, para mim, a rodada de 2014. Assinamos nesta semana o último contrato de concessão referente à 12ª rodada”, destacou Magda, durante o evento LETS, organizado em parceria pelas federações das indústrias de São Paulo (Fiesp) e do Rio de Janeiro (Firjan). “Por isso, nós da ANP não entendemos como necessária uma nova rodada para 2014”, complementou.

De acordo com Magda, a agência analisa alternativas de novas áreas a serem leiloadas, mas tendo como foco uma nova disputa apenas em 2015. Neste momento, o foco ainda está na assinatura do contrato, na assunção das áreas leiloadas pelas vencedoras e no início das atividades locais. No próximo leilão, áreas em mar e em terra devem ser disputadas. “Estamos estudando a margem leste, que vai do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, e também a fronteira terrestre com vistas ao gás natural. Também há o estudo contínuo de bacias maduras com vistas à oportunidade de negócios para pequena e média empresa”, afirmou a executiva, em referência a áreas já maduras.

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Pré-sal – A licitação de uma nova área do pré-sal, assim como ocorreu com Libra no ano passado, ficaria para 2016. “No caso de oportunidades grandes de bilhões de barris, a ANP não recomenda para o ano que vem. Acabamos de licitar Libra, que é um mega projeto e deve pegar de 12 a 18 plataformas de grande porte. Falamos de um investimento mínimo de US$ 65 bilhões”, alertou Magda. “Acho antiprodutivo assolar o mercado com oportunidades gigantescas sem que essas oportunidades licitadas estejam mais maturadas”, ressaltou.

Embora esteja com os estudos em curso, a ANP tem apenas o papel de sugerir ao governo federal um cronograma e condições dos certames. O modelo comentado por Magda nem sequer foi enviado ao governo, de acordo com a executiva. A avaliação deve ser discutida na próxima reunião do conselho de política energética.

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Exportação – Durante o evento, Magda afirmou que as exportações brasileiras de petróleo deverão superar as importações em 2014. Segundo ela, o fluxo de óleo cru será positivo este ano, um período marcado por fracas exportações e importações crescentes, que afetou a balança comercial do país e as contas da Petrobras. De acordo com dados do governo, o Brasil encerrou 2013 com a balança comercial de petróleo negativa, após importar 16,3 bilhões de dólares e exportar 13 bilhões de dólares. Em 2012, no entanto, o resultado foi positivo.

A diretora da ANP não quis estimar um possível valor para o superávit em 2014. Apesar disso, projeções da Petrobras apontam para um aumento de 7,5% na produção de petróleo este ano, após dois anos de queda na extração, o que deverá beneficiar os negócios da estatal, além de ajudar a equilibrar a balança comercial do país As crescentes importações de petróleo e combustíveis têm prejudicado as contas da Petrobras, uma vez que a companhia, pressionada pelo controle de preços exercido pelo governo, vende o produto no Brasil a valores inferiores aos de compra no mercado externo.

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Gás – Magda também ressaltou que nos próximos dez anos a produção de gás natural no Brasil em terra será prioritariamente convencional. “Não é possível replicar com a mesma velocidade o modelo dos Estados Unidos para a exploração do gás de xisto”, disse ela, referindo-se ao boom energético do gás não convencional norte-americano. A executiva acrescentou que, diferentemente dos EUA, o Brasil ainda não explorou profundamente seu potencial de produção do gás convencional.

(com agência Reuters e Estadão Conteúdo)

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