LCM Construções conquista espaços pouco explorados e já atua em 24 estados brasileiros
Companhia foca em licitações para obras públicas de pequeno e médio portes, muitas vezes ignoradas por grandes empreiteiras
O modelo de negócios da LCM Construção nasceu de uma oportunidade pouco explorada pelas grandes empreiteiras. Sediada em Belo Horizonte, a companhia concentrou sua atuação em licitações para obras públicas de pequeno e médio portes, muitas vezes ignoradas pelas maiores empresas do setor. Fundada em 2013, a LCM alcançou receita líquida de 3,3 bilhões de reais em 2025 — um crescimento notável para uma companhia tão jovem. Para atuar nesse mercado, a empresa, primeira colocada no setor de construção civil no ranking TOP30, combinou preços competitivos, conhecimento dos processos licitatórios e parcerias com fornecedores locais, alguns deles convertidos em sócios dos empreendimentos. Nos últimos dez anos, acumulou inúmeras vitórias em concorrências públicas. “Não temos valor mínimo para entrar em uma disputa”, afirma Marcus Viana Faria, diretor de relações institucionais da LCM. “Aceitamos desde a conservação de ruas municipais até a execução de grandes trechos de rodovias federais.”
A disposição para atuar em projetos de diferentes dimensões ampliou rapidamente a presença nacional da construtora. Atualmente, a LCM conduz cerca de 100 obras simultaneamente em 24 estados brasileiros. Os resultados financeiros acompanharam essa expansão. De 2022 a 2025, o lucro líquido cresceu 211%, alcançando 591 milhões de reais. Com 6 000 funcionários diretos, a companhia teve margem líquida de 17% e retorno sobre o patrimônio líquido de 70%, segundo levantamento da consultoria Austin Rating. A discrição é outra característica da empresa. Sua sede em Belo Horizonte passa longe da ostentação associada às grandes empreiteiras do passado, enquanto o fundador e CEO, Luiz Otávio Fontes Junqueira, evita aparições públicas. Esse perfil reservado limita a projeção nacional da LCM, apesar da expansão dos negócios. “Nós nos beneficiamos das lacunas deixadas pelas grandes empreiteiras”, disse Junqueira em uma rara entrevista, concedida há dez anos.
A trajetória da empresa começou com serviços de conservação de rodovias, como roçada de vegetação, recuperação de guias e recapeamento asfáltico. Desde então, avançou para projetos de maior complexidade. Entre as obras em execução estão o anel rodoviário de Campina Grande, na Paraíba, e trechos da BR-319, que liga Porto Velho a Manaus e atravessa a Floresta Amazônica. A companhia também responde pela construção de pontes de grande extensão na Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), no interior da Bahia, considerada uma das principais obras de infraestrutura logística do país. A ambição agora é ampliar ainda mais o leque de projetos. “Ainda não temos em nosso portfólio um túnel ou uma hidrelétrica, mas essa é uma meta para futuras parcerias da companhia”, afirma Faria. É nesse caminho que a LCM pretende sustentar seu desenvolvimento.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







