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Justiça condena ex-executivo do Banco Noroeste

Sakaguchi foi condenado por gestão fraudulenta, após desviar 242,48 milhões de dólares da instituição

A Justiça Federal condenou a seis anos de prisão – com direito a apelar em liberdade – o ex-executivo do Banco Noroeste Nelson Tetsuo Sakaguchi, acusado, há quinze anos, pelo desvio de 242,48 milhões de dólares da instituição. O escândalo financeiro foi descoberto na operação de venda do Noroeste para o Banco Santander, por 480 milhões de dólares, entre o final de 1997 e início de 1998.

Sakaguchi foi condenado por gestão fraudulenta de instituição financeira. Ele era responsável por toda a diretoria internacional do banco, incluindo a agência Grand Cayman. Hoje, ele vive hoje de maneira modesta, prestando assessorias contábeis esporadicamente, pelas quais diz que recebe entre 2.000 e 3.000 reais mensais.

O caso ganhou contornos emblemáticos depois que uma mãe de santo despontou como protagonista. Entre 1995 e 2001, Sakaguchi teria depositado o equivalente a 4 milhões de dólares na conta de Maria Rodrigues de Oliveira em troca de “serviços espirituais”. Ela morreu no curso do processo. À Justiça, Sakaguchi disse que “nunca doou valores expressivos a Maria, adquirindo dela apenas velas e objetos litúrgicos”.

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Segundo a Justiça, ele assumiu a realização de transferências internacionais de valores alegando que parte dos saques – 190 milhões de dólares – destinou-se ao financiamento da construção de um aeroporto internacional na Nigéria, “negócio que geraria lucro expressivo à instituição financeira”. Sakaguchi afirmou que a operação “fora autorizada verbalmente pela diretoria executiva do banco”.

O advogado Tadeu Galeti, que defende Sakaguchi, disse que “não se conforma com a condenação” e vai recorrer. Ele nega taxativamente que o ex-executivo tenha desviado recursos. “Essa decisão foge completamente da nossa tese de defesa. Nelson não praticou nem tinha como praticar qualquer desvio sozinho em razão do sistema de controle do banco.”

Outros quatro réus foram absolvidos, entre eles o engenheiro Luís Vicente Barros Mattos Jr. “A defesa sempre confiou em sua absolvição”, declarou o advogado criminal Aloísio Lacerda Medeiros, defensor de Mattos Jr. “Foram quinze longos anos de espera para que a Justiça finalmente reconhecesse que o milionário desfalque de que foi vítima o Noroeste foi obra da ação inescrupulosa do então diretor da sua área internacional, Nelson Sakaguchi.”

(com Estadão Conteúdo)