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Juros pagos pelo Tesouro são “inaceitáveis”, diz Durigan

Ministro afirma que custo da dívida prejudica governo, empresas e famílias e defende melhora das contas públicas para reduzir as taxas

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 ago 2026, 16h14
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira, 19, que os juros de longo prazo pagos pelo Tesouro Nacional são “muito altos” e precisam ser reduzidos. Segundo ele, o custo da dívida pública prejudica a administração do governo e limita os recursos disponíveis para outras despesas.

“O Tesouro Nacional, que é quem mais tem condição de pagar um título no país, tem hoje uma conta muito grande para pagar, com juro alto. Isso é inaceitável”, afirmou durante o Fórum Saúde, organizado pelo grupo Esfera Brasil e pela farmacêutica EMS, em Brasília.

Para financiar suas despesas e substituir títulos que chegam ao vencimento, o governo emite novos papéis. Quanto maior a taxa exigida pelos investidores, mais caro fica refinanciar a dívida, operação conhecida como rolagem.

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Durigan reconheceu que a redução dos juros depende também de uma trajetória sustentável para as contas públicas. “Nunca podemos baixar a guarda e achar que o trabalho está resolvido, porque não está”, declarou.

Custo da dívida está no maior nível em quase dez anos

A taxa de juros implícita da dívida bruta atingiu 13,2% no acumulado em doze meses, maior patamar desde novembro de 2016. Calculado pelo Banco Central, o indicador busca medir o custo efetivo do endividamento do governo.

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O valor leva em consideração a composição da dívida, que reúne títulos vinculados à Selic, papéis prefixados, compromissos corrigidos pela inflação e obrigações cambiais.

O estoque da Dívida Pública Federal chegou a 9,268 trilhões de reais em junho, segundo o Ministério da Fazenda. Quase metade dos títulos está vinculada a taxas flutuantes, o que faz com que parte relevante do custo acompanhe mais rapidamente as mudanças nos juros.

Além da Selic, as taxas cobradas pelo mercado refletem as expectativas para a inflação, a situação das contas públicas e o risco percebido pelos investidores. Quando aumenta a desconfiança sobre a capacidade do governo de controlar despesas e estabilizar a dívida, cresce o retorno exigido para financiar o Tesouro.

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Cenário externo também pressiona as taxas

Durigan também atribuiu parte da pressão ao nível dos juros nos Estados Unidos, que influencia o custo do dinheiro em outros países. Títulos americanos de longo prazo passaram por uma onda de vendas, e o rendimento do papel com vencimento em trinta anos alcançou o maior nível desde 2007.

Nesta quarta-feira, o Tesouro americano anunciou que dobrará o volume das operações de recompra de títulos de prazo mais longo. A medida busca aumentar a liquidez do mercado, facilitando a negociação desses papéis.

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“É uma intervenção do Tesouro norte-americano na recompra de títulos públicos em razão desse tipo de situação que está pressionando a rolagem da dívida lá. O que estamos vendo hoje é o mercado reagindo positivamente no Brasil”, afirmou Durigan.

Segundo o ministro, o governo continuará trabalhando para melhorar as contas públicas e criar condições para a redução dos juros, mas a tarefa deverá avançar também na próxima gestão. “É preciso que continue trabalhando no próximo governo para resolver essa questão”, disse.

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