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Juros futuros buscam direção; ata apontou incertezas

Por Da Redação 28 jul 2011, 10h25

Por Patricia Lara

São Paulo – A ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) repete um diagnóstico muito parecido com o do documento anterior sobre a economia doméstica. Mas citando incertezas elevadas e crescentes, as autoridades presentes no último encontro decisório do Banco Central (BC) apontaram que esperam uma desaceleração mais forte no segundo semestre, quando os efeitos da política monetária serão sentidos de maneira mais potente. Diante disso, o documento considera o cenário para a inflação favorável. Mas não há citação explícita de que a inflação convergirá para a meta em 2012, como constava na ata anterior. Mas não há ainda, segundo comentários iniciais de analistas e operadores, desconforto claro sobre essa omissão. No mercado futuro de juros, os primeiros negócios indicavam estabilidade e falta de direção.

Na leitura inicial do documento, o mercado se mantém em campos diferentes, reiterando a divergência sobre se haverá ou não mais uma alta de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic (juro básico da economia) no encontro de 30 e 31 de agosto. E também ainda monitora como o câmbio reagirá hoje, após o impacto inicial das medidas anunciadas ontem para coibir ampliação de posições vendidas em real. No exterior, não há acordo ainda para a dívida dos EUA, a Grécia entra em negociação com seus credores privados e o governo da Itália pagou um custo elevado para se refinanciar.

“O BC deixou a porta aberta para novas altas, sinalizando somente que o final do ciclo está mais próximo. Mas a impressão que fiquei é que somente uma recessão global para ele não dar ao menos mais uma alta”, observou o economista da LCA Consultores, Flavio Samara. “Não traz muita novidade”, comentou o tesoureiro do Banco Modal, Luiz Eduardo Portella, para quem o Copom já deve ter encerrado o ciclo de elevação da Selic na última reunião, quando a taxa básica subiu 0,25pp, para 12,50% ao ano.

O documento do Copom salienta que o cenário prospectivo para a inflação mostra sinais mais favoráveis. Os membros do Copom retiraram a expressão “suficientemente prolongado” para a implementação de ajustes na política monetária, seguindo o que já tinha sido feito no comunicado. Mas, por outro lado, o Copom chama atenção para um quadro global de maior incerteza. A ata inclui a palavra “crescente” para qualificar o quadro atual, numa sinalização de maior gravidade das incertezas. “Copom reconhece um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza crescente e acima do usual, e identifica riscos à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta”, diz a ata.

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Os integrantes do Copom não mencionam, textualmente, na ata a intenção de fazer a convergência do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o centro da meta em 4,5% em 2012. Esse compromisso constava na ata da reunião de junho justamente no parágrafo que tratava da necessidade de ajuste de política monetária”suficientemente prolongado” como estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012.

“Embora incertezas elevadas e crescentes que cercam o cenário global e, em escala marcadamente menor, o cenário doméstico, não permitam identificar com clareza o grau de perenidade de pressões inflacionárias recentes, o Comitê avalia que o cenário prospectivo para a inflação mostra sinais mais favoráveis”, destaca a ata, divulgada nessa manhã.

E as notícias de hoje mostram que o território arenoso no exterior continua. O nervosismo dos investidores sobre a capacidade de o Congresso norte-americano chegar a um acordo em tempo de evitar um calote parcial da dívida dos EUA mantém os investidores na defensiva, mas não há sinal de pânico.

Nos EUA, a Câmara dos Representantes do país deve votar hoje uma proposta republicana sobre a elevação do teto da dívida e corte de gastos. O texto deve ser aprovado, uma vez que os Republicanos são maioria na casa. No entanto, no Senado, onde os Democratas são maioria, a proposta é outra, fato que não deve colocar um fim ao impasse sobre o tema.

A Grécia enfrenta hoje seus credores privados e precisa conquistar adesão deles para ter acesso à segunda parcela do pacote de 110 bilhões de euros fechado no ano passado com parceiros da zona do euro e o Fundo Monetário Internacional.

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