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Juro curto tem alta, mas continua aposta em Selic menor

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – Em uma semana de agenda pesada, com reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e divulgação do PIB, o mercado de juros futuros operou com pequeno acréscimo de prêmios nos vencimentos mais próximos e queda das taxas na parte longa da curva. Na visão de operadores, a menos que haja algo de extraordinário até quarta-feira, os juros curtos devem ter apenas movimentos laterais e fechados em torno de um corte de 0,5 ponto porcentual da Selic. Após o Copom, e dependendo do comunicado que acompanha a decisão, uma tendência mais clara poderá se definir.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F nesta segunda-feira, o DI janeiro de 2013 (352.720 contratos) estava em 8,07%, de 8,04% no ajuste. O DI janeiro de 2014 (148.100 contratos) indicava 8,51%, de 8,52% na sexta-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (20.920 contratos) cedia a 9,69%, de 9,81%, enquanto o DI janeiro de 2021 (2.340 contratos) caía para a mínima de 10,24%, ante 10,34% no ajuste anterior.

Em um movimento tradicional do mercado, as apostas residuais em torno de um corte de apenas 0,25 pp da Selic – chegou-se a falar em corte de 0,75 pp na semana retrasada – acabam tirando um pouco de prêmios dos vencimentos intermediários e longos. Mas o trecho final da curva sofreu influência, sobretudo, do exterior.

É que a despeito de os mercados norte-americanos estarem fechados devido ao feriado do Memorial Day, o sistema bancário da Espanha continua no centro das atenções. O Bankia, que já foi nacionalizado pelo governo espanhol, viu suas ações despencarem depois de ter informado, na sexta-feira, a necessidade de 19 bilhões de euros em socorro. Em meio a isso, o yield (retorno ao investidor) dos bônus de 10 anos da Espanha subiu 18 pontos-base, para 6,47% no intraday, nível mais alto neste ano.

Por aqui, há indicativos iniciais de que o mercado está se preocupando menos com a inflação, uma vez que o BC também conteve uma disparada maior do dólar. A pesquisa Focus mostrou que a previsão de alta do IPCA em 2012 saiu de 5,21% para 5,17%. Mas, por enquanto, os analistas seguem prevendo IPCA de 5,60% em 2013. Mas além da preocupação menor com o comportamento dos preços, os economistas também reduziram suas expectativas em relação ao crescimento da economia. Para 2012, segundo o levantamento Focus, os analistas esperam avanço de 2,99% do PIB, de 3% na semana anterior. E a revisão para baixo ocorre mesmo com o anúncio de medidas para incentivar o crédito e o consumo de veículos, feito na semana passada.

O Copom de quarta-feira é o primeiro sob as novas regras de transparência, quando os votos sobre o que deve ser feito com o juro básico serão revelados nominalmente no comunicado emitido após a reunião. Também será a primeira reunião desde a alteração das regras da remuneração da caderneta de poupança, anunciadas em 3 de maio. Agora, a remuneração da caderneta será equivalente a 70% da taxa básica de juros mais a variação da Taxa Referencial (TR) sempre que a Selic estiver em 8,50% ao ano ou em patamar menor.