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Juiz afastado do caso Eike diz que aceitaria prisão, caso seja seu ‘carma’

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Flávio Roberto de Souza - que é budista - confessou que não tem medo de ser preso

Por Da Redação - 23 mar 2015, 12h50

Flávio Roberto de Souza, que foi afastado do cargo de juiz titular da 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro após ter sido flagrado dirigindo um Porsche Cayenne de Eike Batista, confessou que não tem medo de ir preso. “Se isso acontecer, estou tranquilo. Já pus muita gente na cadeia. Se meu carma for esse, aceitarei tranquilamente”, disse Souza – que é budista – em entrevista por telefone ao jornal O Estado de S. Paulo.

No início de março, veio à tona o fato de que o Porshe de Eike, assim a Range Rover do Filho do empresário, estavam estacionados no condomínio do juiz, na Barra da Tijuca. Já o piano de cauda que decorava a sala de Eike Batista estava no apartamento de um vizinho do juiz. Sobre esses fatos, Souza não acha que tenha cometido qualquer equívoco. E, se pudesse voltar no tempo, mudaria apenas uma coisa: “Faria tudo mais rápido”.

No dia seguinte à entrevista, o juiz quis complementar sua resposta. “Eu voltaria atrás, sim. Pequei por excesso de zelo ao levar os carros para casa. Deveria tê-los deixado sujeitos a danos no pátio da Justiça”, afirmou. “Acho que me expus demais nesse processo e ele acabou virando um confronto pessoal.”

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“Posso dizer que o caso está em segredo de Justiça e que o que se divulgou até agora não passa de especulação”, disse. Ele deveria ter enviado sua defesa à Corregedoria até sexta-feira. O Tribunal diz que ela não foi entregue, mas o advogado do magistrado, Renato Tonini, garante que protocolou a defesa. Na próxima quinta-feira, o órgão decidirá se abre ou não um processo administrativo contra o juiz, cujas penas podem ir de advertência à demissão. Em paralelo, está em curso no Ministério Público Federal (MPF) um inquérito que apura, entre outras coisas, a suspeita de lavagem de dinheiro.

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Dos 116 mil reais apreendidos de Eike Batista, 27 mil reais desapareceram. Outros 600 mil reais recolhidos do traficante espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin, preso em 2013, sumiram. Segundo o MPF, o juiz confessou à corregedoria ter desviado 150 mil dólares e108 mil euros dos cofres da 3ª Vara. Os procuradores chegaram a pedir a prisão preventiva do juiz – negada pela Justiça.

(Com Estadão Conteúdo)

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