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Shâmis Cynowiec mostra que a velha arte da tatuagem tem se mostrado uma eficaz aliada no combate das indesejadas cicatrizes

Não é feitiçaria, sequer uma nova tecnologia. É a velha arte da tatuagem que tem se mostrado uma eficaz aliada no eterno combate de mulheres e homens contra as indesejadas cicatrizes que se formam com o rompimento das fibras da pele, as famigeradas estrias. Embora ainda seja raro, o procedimento de disfarce das estrias pela tattoo que imita a cor da pele já chegou a Caxias do Sul, pelas mãos do tatuador Shâmis Cynowiec, que há cerca de seis meses aplica a técnica em clientes de diversos cantos do Estado.

Shâmis passou a aplicar a camuflagem de estrias após concluir uma especialização com o paulista Rodolpho Torres, que se tornou mundialmente conhecido como inventor da técnica. Torres chegou a receber destaque em veículos internacionais como os britânicos The Independent e Daily Mail e já coloriu a pele de clientes famosas como Scheila Carvalho, Íris Stefanelli e Helen Ganzarolli, além de ex-BBBs e até a blogueira Geisy Arruda. Shâmis explica o método: 

– Estria é um problema sem solução, não tem como eliminar. O que se pode fazer é amenizar, disfarçar. O meu procedimento atua especificamente na pigmentação, eliminando a cor branca, que é o que dá maior destaque à estria. Para encontrar a cor certa para a pele de cada cliente, depende do olho do tatuador. Sempre faço uma pré-avaliação, normalmente por foto que as clientes mandam, depois é feita outra presencial. Alguns casos, como estrias muito flácidas ou muito novas, que ainda têm muita vascularização, encaminho a outros profissionais.

Embora 95% do público sejam mulheres, uma minoria masculina também já recorreu ao serviço, principalmente para disfarçar as estrias na barriga e nas costas, resultado do efeito sanfona. Entre as moças, a maioria recorre à camuflagem após uma série de tentativas com outras técnicas que se mostram ineficazes, muito caras ou dolorosas, como carboxiterapia, striort ou micropuntura.

– Muitas vezes, as clientes acham que os procedimentos não deram certo, mas a gente olha e vê que o aspecto está melhor, que já foi tratada. Mesmo assim elas ficam frustradas porque, embora a textura esteja melhor, o tom, que é o que mais incomoda, não desaparece. É uma preocupação estética. Elas não querem que a cicatriz seja vista, e para isso não importa se o marido ou namorado sequer saiba reconhecer que ela tem uma estria, porque os homens normalmente não reparam — comenta Shâmis.

Alternativa ou complemento

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Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

 

O tatuador acrescenta que os clientes rapidamente se convencem da honestidade do serviço por ser uma técnica que não promete milagres, mas sim o disfarce meramente estético, que, especialmente para as mulheres, já é razão suficiente para experimentar:

– Tenho clientes que não colocam um biquíni há 10 anos, que têm a autoestima destruída. Uma delas se mudou da Bahia para o Rio Grande do Sul porque lá, devido ao calor, ela precisava usar pouca roupa. E após três gestações ainda nova, tinha o corpo marcado por muitas estrias. É muito gratificante ver que o sorriso delas aparece na hora, à primeira olhada no espelho. 

Método prático

A camuflagem de estrias costuma ser mais rápida e simples que a tatuagem normal. A quantidade de sessões depende do tamanho da área de aplicação

"O incômodo é a mim mesma"

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Foto: Acervo pessoal de Shâmis Cynowiec / Divulgação

 

Até chegar à camuflagem, a estudante caxiense Paula Zotti Cappelletti, 21 anos, tentou diversos métodos para amenizar as estrias nas coxas e panturrilhas. A carboxiterapia, que é a aplicação de gás carbônico nas cicatrizes, era muito dolorida. O tratamento a laser foi mais eficiente, porém caro (algo como R$ 4 mil por uma aplicação pequena). Ao descobrir o trabalho de Shâmis, Paula ainda precisou esperar algumas semanas para fazer a primeira sessão, pois estava com o corpo bronzeado do verão. Hoje, considera que a tatuagem foi o método mais eficaz:

 – É melhor porque ela tapa a estria mesmo. O que me incomoda é isso, saber que ela está aparecendo. Ninguém vai ficar me tocando pra saber se eu tenho estria, só não quero que seja visível – comenta. 

Paula acrescenta que o principal incômodo provocado pelas estrias é quanto ao fato dela própria olhar no espelho e perceber as marcas, mais do que olhares alheios: 

– A estria é um incômodo a mim mesma. Não é que as pessoas olhassem e me perguntassem, era porque eu mesma me olhava no espelho e via as estrias. Se tiver outras em algum lugar que eu não veja, tudo bem, nem vou mexer. A questão é eu mesmo enxergar. 

A administradora Livia Carbonera, 32, por sua vez, passou pelo procedimento nos flancos (foto acima) para disfarçar as estrias pós-gravidez. Precisou esperar alguns meses após o parto para que as cicatrizes ficassem mais esbranquiçadas, facilitando a tatuagem. 

– Quem olha de perto vai perceber que é uma camuflagem, mas não me incomoda. O resultado é ótimo. Por ser um sombreado, sem traços mais profundos, dói menos que a tatuagem normal – atesta.