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JBS enfrenta apuros com sociedade italiana

Sócio da operação do grupo na Itália é acusado de alterar a origem da carne para estimular as vendas na Europa

O conflito já se transformou em disputas travadas na Justiça italiana e também em órgãos internacionais

A disputa entre o grupo brasileiro JBS, maior produtor de carne processada do mundo, e o sócio de sua operação na Itália, a Cremonini, agora inclui acusações de “maquiagem” de origem da carne. Segundo o presidente do Conselho da sociedade Inalca JBS, Marco Bicchieri, documentos mostrariam que a Cremonini teria vendido gado criado na França e na Irlanda como italiano para obter vantagens comerciais. Ele diz que o caso foi encaminhado à Justiça da Itália em agosto.

O caso é mais um capítulo em uma relação conturbada: o frigorífico JBS diz que, desde que comprou 50% da operação da Inalca, há quase três anos, não tem acesso a documentos que comprovem a veracidade dos dados apresentados no balanço. O conflito já se transformou em disputas travadas na Justiça italiana e também em órgãos internacionais. O JBS já considera dissolver a sociedade com a Cremonini. Além de mais acesso a informações financeiras, o grupo exige a demissão dos dois atuais principais executivos da Inalca.

Para o grupo brasileiro, os números relativos ao Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) mostram uma evolução anômala do resultado, quando se considera a difícil situação atual do mercado europeu: no primeiro semestre de 2009, o Ebitda da Inalca JBS ficou em 24,4 milhões; em igual período deste ano, saltou para 48 milhões. Bicchieri explica que, dependendo do resultado anual, o negócio pode receber um bônus de 65 milhões do JBS. “O pagamento não é questionado. Mas a gente quer ter conhecimento de como o balanço é apurado. Faz três anos que estamos pedindo isso”, diz.

Enquanto o grupo brasileiro reclama da falta de informações sobre as finanças da companhia, a Cremonini conseguiu autorização judicial para destituir os três membros do Conselho de Administração indicados pelo JBS. A parte brasileira da associação tenta agora reverter a medida.

(Com Agência Estado)