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Japão adota sua mais ousada medida para resgatar economia

Após forte campanha de premiê, BoJ decidiu adotar meta de inflação de 2%. O mercado do país, porém, não reagiu bem à notícia

As ações da Bolsa de Tóquio fecharam em queda devido à decepção dos investidores com a decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês). No final de sua reunião de dois dias, o BoJ decidiu introduzir a meta de inflação de 2%, substituindo o seu atual alvo de 1%. O banco também optou por implementar uma programa de relaxamento monetário por tempo indeterminado, comprometendo-se a continuar com a compra de ativos financeiros, desde que isso seja considerado necessário. Trata-se da maior ação da instituição para combater a estagnação econômica que atinge o país há anos. Anteriormente, as compras de ativos estavam agendadas para terminar no final deste ano.

As medidas representam o mais recente esforço do banco central para dar fôlego à recuperação fraca em meio à crise financeira global. Embora, no caso do Japão, o país também tente superar quase duas décadas de deflação. A frustração do mercado japonês, contudo, provocou uma queda no valor do dólar ante o iene, resultando na venda de papéis de grandes exportadores como a Honda Motor e a Canon. O índice Nikkei caiu 0,4%, para 10.709,93 pontos, após um decréscimo de 1,5% na sessão anterior. O volume de negócios totalizou mais de 3,9 bilhões de ações negociadas – em linha com a tendência recente de 3 bilhões de ações.

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Os principais índices da bolsa registraram poucas operações antes do anúncio do banco central. Inicialmente, o preço das ações aumentou bastante após o BoJ afirmar que adotará, formalmente, uma meta de inflação de 2% e introduzirá um programa de relaxamento ilimitado, que inclui planos para a compra mensal de cerca de 2 trilhões de ienes em títulos a partir de 2014. Mas o otimismo não durou. O Nikkei caiu bem abaixo do ponto de equilíbrio para a sua mínima da sessão, menos de 40 minutos depois. Segundo especialistas, a queda ocorreu por causa de uma frustração com as medidas após uma leitura mais atenta do anúncio.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, afirmou estar satisfeito com a decisão do Banco do Japão . “Eu acredito que o caminho para uma política monetária mais ousada já está aberto”, disse Abe após uma reunião com o presidente do BoJ, Masaaki Shirakawa, o ministro das Finanças, Taro Aso, e o ministro da Economia, Akira Amari. Esta foi a primeira vez em mais de nove anos e meio que o banco central tomou medidas de relaxamento em duas reuniões de diretoria consecutivas.

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Câmbio – A partir do fechamento do pregão, o dólar era negociado em torno de 89,05 ienes, enquanto o euro variava por volta de 118,87 ienes.

Os exportadores lideraram as vendas. A Honda recuou 2,3%, a Toyota Motor fechou em queda de 0,9%, a Canon caiu 1,7% e TDK perdeu 1,5%. As incorporadoras e corretoras foram as principais beneficiárias do anúncio do BoJ, terminando, majoritariamente, em alta. A Sumitomo Realty & Development avançou 1,7% e a Mitsui Fudosan ganhou 1,2%. A Nomura Holdings subiu 1,0%.

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Outras grandes empresas financeiras fecharam em baixa, no entanto. A Sumitomo Mitsui Financial Group perdeu 1,4%, enquanto a Dai-Ichi Life Insurance recuou 1,1%.

Fabricantes de metal recuaram bastante depois de uma série de rebaixamentos de recomendações do Credit Suisse sobre os papéis das empresas do setor, incluindo um corte do rating da Sumitomo Metal Mining para “Neutra”, de “Outperform”. O Credit Suisse também cortou a recomendação da Mitsui Mining & Smelting para “Neutra”, de “Outperform”, citando queda nas vendas de materiais de cátodo de bateria. A dupla terminou o pregão com queda de 0,8% e 1,8%, respectivamente. As informações são da Dow Jones.

Política monetária – O BoJ decidiu adotar uma meta de inflação de 2% e promover um maior afrouxamento da política monetária, após uma forte campanha do primeiro-ministro, Shinzo Abe, que instou o banco central a intensificar os seus esforços para derrotar a deflação.

Por 7 votos a 2, o conselho monetário do BoJ aprovou, ao final de sua reunião de dois dias, a nova meta inflacionária em substituição à atual meta de 1%, que Abe havia criticado como um compromisso muito fraco do banco central japonês. As medidas representam o mais recente esforço heterodoxo do banco central para dar fôlego à recuperação fraca em meio à crise financeira global. Embora, no caso do Japão, o país também tenta superar quase duas décadas de deflação.

Medida agressiva – A entidade também anunciou que, a partir de janeiro de 2014, introduzirá um sistema de aquisição mensal de ativos financeiros sem uma data limite, que por enquanto terá o valor de 13 trilhões de ienes (cerca de US$ 144 bilhões) a cada mês. Dentro desta política, o volume do seu programa de compra de ativos, sua principal ferramenta para injetar liquidez no sistema, será ampliado em 10 trilhões de ienes (US$ 110 bilhões) em 2014, informou a instituição ao término de sua reunião mensal de dois dias

(Com Estadão Conteúdo)