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James Murdoch culpa editor e advogado em caso de escutas

Por Da Redação 10 nov 2011, 13h19

Por Georgina Prodhan e Kate Holton

LONDRES (Reuters) – James Murdoch tentou jogar a culpa em seus ex-colegas do News of the World nesta quinta-feira para tentar sobreviver à segunda audiência perante parlamentares britânicos sobre o escândalo de rastreamento de telefones e manter seu cargo no império de mídia do pai.

Murdoch culpou Colin Myler, o último editor do tablóide Sunday, agora extinto, por ter dado a ele informações incompletas, e acusou o ex-chefe do departamento legal do jornal Tom Crone de enganar a comissão que investiga o caso.

“Este foi o trabalho do novo editor que havia entrado … para limpar as coisas, para me deixar ciente dessas coisas”, disse Murdoch, aparentando confiança durante o interrogatório dos parlamentares, mesmo quando comparado pelo deputado Tom Watson a um chefe da máfia.

Ele também disse que Crone havia ordenado a vigilância de figuras públicas pelo News of the World — revelações que prejudicaram ainda mais a empresa esta semana.

Foi revelado este ano que o News of the World, de propriedade da News Corp, executou uma operação em escala industrial para rastrear telefones de vítimas de assassinato, incluindo a estudante Milly Dowler, celebridades e políticos.

Anteriormente, a News Corp havia dito que o rastreamento foi obra de um repórter solitário, Clive Goodman, e do detetive particular Glenn Mulcaire. Ambos foram presos pelo crime em 2007.

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Em 2008, James Murdoch aprovou um pagamento de cerca de 750.000 libras (1,2 milhão de dólares) para uma vítima de rastreamento, o chefe de uma equipe de futebol Gordon Taylor, que tinha em sua posse um e-mail de transcrições de rastreamento que pareciam mostrar que a invasão não era apenas uma ação de Goodman.

James Murdoch reiterou aos deputados nesta quinta-feira que havia aprovado o elevado pagamento apenas porque estava seguindo um conselho legal, e não porque soubesse que o e-mail poderia implicar outros jornalistas.

Ele repetiu ainda que Myler e Crone não lhe tinham mostrado o e-mail e negou que tenha enganado o parlamento em seu depoimento anterior.

James Murdoch adotou um tom mais contrito do que em sua aparição anterior perante a comissão, com seu pai, Rupert, em julho.

“É uma questão de grande pesar que as coisas tenham dado errado no News of the World em 2006. A empresa não enfrentou essas questões com rapidez suficiente”, disse ele.

James Murdoch foi levado para o News International após a data do último rastreamento, mas foi acusado de não ter feito os questionamentos corretos e, possivelmente, de participar de um grande encobrimento da empresa.

Atualmente ele é vice-presidente de operações da News Corp, responsável por todos os negócios fora dos EUA, e era cotado até recentemente para assumir mais cedo ou mais tarde o posto de seu pai, o presidente-executivo Rupert Murdoch.

Ele ainda é presidente do conselho da News International, jornal britânico da News Corp.

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