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Itaú Unibanco supera previsões de lucro, mas inadimplência sobe

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) – Com expansão vigorosa das operações de crédito, somada a despesa menor com provisões para perdas e margens financeiras maiores, o Itaú Unibanco superou projeções de lucro no terceiro trimestre.

O maior banco privado do país anunciou nesta terça-feira que apurou lucro líquido de 3,8 bilhões de reais de julho a setembro, um avanço de 25,5 por cento em relação ao obtido em igual etapa de 2010.

O número superou a expectativa média de nove analistas consultados pela Reuters, que apontava para lucro líquido de 3,62 bilhões de reais no período.

Em bases recorrentes, o lucro do banco foi de 3,94 bilhões de reais, avanço de 24,8 por cento na comparação anual.

Numa mão, a última linha foi fortalecida pela expansão anual de 22,8 por cento na carteira de crédito, a 382,2 bilhões de reais no fim de setembro, incluindo avais e fianças. O destaque foram os empréstimos para grandes empresas, que evoluíram 23,9 por cento em 12 meses.

E, apesar do nível de inadimplência ter subido ao maior nível em seis trimestres, a 4,7 por cento, ante 4,2 por cento um ano antes, o banco fez menos provisões para perdas esperadas com calotes, o que também ajudou.

“Não há razão para aumentar provisões”, disse o diretor de controladoria do Itaú Unibanco, Rogério Calderón, em teleconferência com jornalistas. “Não vemos deterioração adicional”. O executivo previu que a inadimplência ainda pode crescer um pouco no quarto trimestre, mas depois a tendência é de queda.

As despesas com provisões para crédito de liquidação duvidosa somaram 4,97 bilhões de reais no trimestre, menos que os 5,12 bilhões de reais de abril a junho. Com isso, o índice de cobertura caiu a 156 por cento, o menor nível em pelo menos oito trimestres.

O banco fez exatamente o contrário do que seus concorrentes Bradesco e Santander Brasil, que no trimestre ampliaram as provisões para perdas, mesmo esperando manutenção ou queda da inadimplência.

Em outra frente, apoiado num salto de 64,6 por cento no resultado da tesouraria, o Itaú apurou uma margem financeira de 12,96 bilhões de reais nos três meses até setembro, valor 8,7 por cento maior do que no trimestre imediatamente anterior.

Adicionalmente, a instituição viu suas receitas com tarifas crescerem 10,1 por cento ano a ano, a 4,82 bilhões de reais.

Assim, o retorno recorrente sobre patrimônio líquido anualizado chegou a 23,5 por cento, ante 22,5 por cento em igual etapa de 2010.

REAÇÃO DO MERCADO

De modo geral, analistas gostaram do resultado, embora sigam preocupados com a qualidade da carteira de crédito do Itaú Unibanco.

“A qualidade não é a que gostaríamos de ver, mas o Itaú mostrou números encorajadores”, escreveram os analistas Mario Pierry e Tito Labarta, do Deutsche Bank. Eles mantiveram recomendação de compra para as ações do banco.

De todo modo, num dia de forte pessimismo no mercado com novos temores relacionados à Grécia e à crise de dívidas soberanas da zona do euro, os resultados trimestrais ficavam em segundo plano.

Às 13h30, a ação do Itaú Unibanco caía 2,69 por cento, a 31,83 reais. No mesmo instante, o Ibovespa recuava 2,33 por cento.