Itaú (ITUB4) lucra R$ 12,4 bilhões no 2º trimestre, alta de 7,8%
Resultado ficou dentro do esperado pelo mercado, mas banco revisa projeções para receitas com prestação de serviços
O Itaú (ITUB4) reportou lucro líquido recorrente de 12,4 bilhões de reais no segundo trimestre de 2026, alta de 7,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. O número ficou dentro do esperado pelo consenso reunido pelo BTG Pactual, que estimava um lucro líquido de 12,5 bilhões de reais para o ciclo de abril a junho de 2026. A informação foi publicada em documento enviado ao mercado nesta terça-feira, 4.
O banco administrado por Milton Maluhy Filho teve outro trimestre com resultado robusto, apresentando baixa inadimplência, elevada rentabilidade e provisões crescendo abaixo do avanço da própria carteira de crédito. O único ponto de atenção foi que a instituição financeira revisou para baixo suas projeções para receitas de prestação de serviços.
A carteira de crédito do Itaú somou 1,5 trilhão de reais ao fim do segundo trimestre de 2026, crescimento de 9,6%. Um dos maiores avanços na concessão de crédito foi o consignado no setor privado, que avançou 11,7%. “O segmento foi puxado pelo consignado CLT”, afirma o banco.
Em meio a essa busca por linhas de crédito mais seguras, o Itaú reportou uma margem financeira gerencial de 33,4 bilhões de reais no segundo trimestre de 2026, alta de 5% na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo a companhia, o avanço é reflexo do aumento das operações sensíveis ao ganho com juros (spread), em função do maior volume médio de ativos, maior margem com passivos, e do melhor mix de produto.
A companhia, que tem focado em empréstimos e serviços para alta renda e em linhas seguras para a baixa renda, manteve sua taxa de inadimplência em sua mínima histórica. O Itaú apresentou uma taxa de inadimplência de 1,9% da carteira de crédito no segundo trimestre de 2026, mesmo valor do ano anterior.
Com isso, as Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) somaram 10,1 bilhões de reais no segundo trimestre de 2026, alta de 7,4%. O número ficou abaixo do crescimento de 9,6% da carteira de crédito, o que reforça a tese de que a empresa mantém as provisões controladas.
Em meio a esses fatores, a companhia elevou novamente a sua rentabilidade, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês), de 23,3% no segundo trimestre de 2025 para 24,3% no segundo trimestre de 2026. Na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o segundo trimestre de 2026, a rentabilidade do Itaú recuou 0,5 ponto percentual.
Para o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, os números refletem a clareza de uma estratégia orientada ao longo prazo. De acordo com o executivo, o banco busca crescer com rentabilidade e qualidade de carteira. Isso exige disciplina analítica, concessão responsável de crédito e uso prático da tecnologia.
“O lançamento da ia.i materializa exatamente essa visão: uma Inteligência Artificial proprietária para qualificar a decisão financeira do cliente com contexto e profundidade”, comenta Maluhy Filho. O único ponto desta noite que pode ter ficado aquém do que o mercado esperava foi a revisão nas projeções da empresa.
O banco manteve o guidance em todas as linhas, mas revisou para baixo as estimativas de receitas com prestação de serviços e seguros. No começo do ano, o banco estimava um crescimento de 5% a 9% nessa faixa. No entanto, a companhia revisou essa perspectiva para alta de 2% a 5%.
O desempenho inferior no segmento ocorre pela redução das receitas com serviços de corretagem e pelos menores ganhos com pagamentos e recebimentos, em função da diminuição das receitas com pacotes de conta corrente de pessoa jurídica. Mesmo assim, o Itaú mantém a dianteira isolada entre os grandes bancos diante de um cenário desafiador para crédito por causa da Selic elevada.







