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Isenção de vistos leva China ao maior fluxo de viajantes da história no primeiro semestre

País registra 369 milhões de entradas e saídas no primeiro semestre; quase 80% dos visitantes internacionais chegaram sem necessidade de visto

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 jul 2026, 18h26
Isenção de vistos leva China ao maior fluxo de viajantes da história no primeiro semestre Priorizar nos meus resultados Google

A China registrou um novo recorde de movimentação em suas fronteiras no primeiro semestre de 2026.

Entre janeiro e junho, 369 milhões de entradas e saídas foram contabilizadas pelos postos migratórios do país, um crescimento de 10,8% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pela Administração Nacional de Imigração (NIA).

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O resultado confirma a forte recuperação da mobilidade internacional chinesa após a pandemia e consolida a política de flexibilização de vistos adotada por Pequim nos últimos anos.

Os números mostram que o fluxo foi liderado por 176 milhões de viagens de residentes da China continental, enquanto 147 milhões corresponderam a moradores de Hong Kong, Macau e Taiwan. Juntos, esses grupos responderam por quase 90% de toda a circulação internacional registrada no período.

O movimento também se refletiu na infraestrutura de transporte. As autoridades de fronteira inspecionaram 20,84 milhões de meios de transporte internacionais, entre aviões, trens, navios e veículos terrestres, alta de 17,1% sobre o primeiro semestre do ano anterior.

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Turismo internacional acelera com isenção de vistos

O principal motor desse crescimento continua sendo a ampliação das políticas de isenção de visto, que vêm sendo usadas por Pequim como instrumento para estimular o turismo, atrair investimentos e fortalecer os negócios internacionais.

No primeiro semestre, a China recebeu 22,9 milhões de visitantes estrangeiros, aumento de 20,4% na comparação anual. Desses turistas, 17,8 milhões entraram sem necessidade de visto, o equivalente a 77,7% de todas as chegadas internacionais, percentual que também representa um avanço de 30,6% sobre 2025.

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A estratégia vem sendo ampliada desde o fim das restrições sanitárias impostas durante a pandemia. Desde 2023, o governo chinês expandiu sucessivamente a lista de países contemplados por acordos de entrada sem visto e também ampliou programas de trânsito sem necessidade de autorização prévia, que hoje permitem permanências de até dez dias para viajantes elegíveis em conexão internacional.

Segundo autoridades chinesas, a política busca facilitar viagens de turismo, negócios, intercâmbio acadêmico e visitas familiares, ao mesmo tempo em que fortalece a retomada do setor de serviços.

Brasil também amplia facilidades para chineses

O movimento de flexibilização não ocorre apenas do lado chinês.

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Nos últimos meses, diversos países anunciaram medidas para facilitar a entrada de cidadãos chineses, entre eles Brasil, Turquia, Sudão e Camboja, refletindo a crescente importância do turista chinês para a economia global e para o setor internacional de viagens.

Antes da pandemia, os turistas chineses figuravam entre os maiores consumidores do turismo internacional em gastos no exterior. A retomada gradual desse fluxo vem sendo acompanhada de perto por destinos que buscam recuperar receitas do setor.

Digitalização reduz filas nas fronteiras

Além da flexibilização dos vistos, Pequim também investe na modernização dos sistemas migratórios.

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Desde março, sete províncias chinesas passaram a permitir que estrangeiros registrem online sua hospedagem quando permanecem em residências particulares, eliminando parte da burocracia anteriormente exigida pelas autoridades locais.

Nos principais postos de fronteira com Hong Kong e Macau, sistemas de reconhecimento facial e leitura da íris passaram a automatizar a liberação de veículos, reduzindo o tempo de inspeção e aumentando a capacidade operacional das aduanas.

A digitalização também alcançou os serviços públicos. A plataforma eletrônica da Administração Nacional de Imigração realizou 118 milhões de atendimentos apenas no primeiro semestre, enquanto a central telefônica oficial 12367 respondeu a 3,68 milhões de consultas de usuários provenientes de mais de cem países e regiões.

Emissão de documentos acompanha alta da demanda

O crescimento da circulação internacional também elevou a procura por documentos migratórios.

Entre janeiro e junho, a China emitiu 10,39 milhões de passaportes, além de 49,58 milhões de autorizações de viagem para residentes da China continental com destino a Hong Kong, Macau e Taiwan.

Outras 1,1 milhão de permissões foram concedidas para moradores dessas regiões administrativas especiais viajarem ao território continental, refletindo o fortalecimento da integração econômica e da mobilidade dentro da Grande Baía e de outras áreas estratégicas do país.

Estratégia faz parte da reabertura da economia chinesa

O avanço do fluxo migratório reforça uma das prioridades do governo chinês para 2026: aprofundar a abertura econômica e facilitar a circulação internacional de pessoas em meio à desaceleração do comércio global.

Além de impulsionar o turismo, a política busca aumentar viagens corporativas, estimular investimentos estrangeiros e ampliar intercâmbios acadêmicos e tecnológicos, reduzindo barreiras burocráticas para visitantes internacionais.

Os dados do primeiro semestre indicam que essa estratégia continua produzindo resultados.

Somente no primeiro trimestre, o país já havia registrado 185 milhões de entradas e saídas, também em nível recorde para o período, antecipando o forte desempenho observado ao longo dos seis primeiros meses do ano.

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