Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

IPCA-15 sobe no mês e dificulta política monetária

Por Hélio Barboza

SÃO PAULO, 24 Jan (Reuters) – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) -considerado uma prévia da inflação oficial- subiu 0,65 por cento em janeiro, ante alta de 0,56 por cento em dezembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

O resultado acendeu uma luz amarela entre os analistas, que veem mais dificuldade para a continuidade o afrouxamento da política monetária.

Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,57 por cento do indicador em janeiro, segundo a mediana das previsões, que variaram de 0,50 por cento a 0,65 por cento.

No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 registrou alta de 6,44 por cento, abaixo dos 12 meses imediatamente anteriores, quando ficou em 6,56 por cento. Também ficou dentro da meta de inflação do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Indagado nesta terça-feira se a aceleração do IPCA-15 é motivo de preocupação, o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou apenas que “a inflação vem caindo de modo geral e ela tem uma elevação sazonal nessa época.”

O economista da Gradual Investimentos André Perfeito considera, porém, que o IPCA-15 de janeiro “cria um certo constrangimento para a política monetária” tendo em vista que o Banco Central “deixou muito clara sua intenção de deixar a taxa básica de juros em um dígito neste ano.”

Para o economista, as medidas de aperto da política monetária adotadas pelo BC no ano passado “deveriam estar mostrando seus efeitos agora, mas isso não está ocorrendo”, afirmou ele, referindo-se aos aumentos na Selic feitos no primeiro semestre de 2011.

Desde agosto passado, no entanto, o BC vem reduzindo a taxa básica de juros, hoje em 10,50 por cento ao ano.

TRANSPORTES E ALIMENTOS

De acordo com o IBGE, a aceleração do IPCA-15 em relação a dezembro foi provocada principalmente pelo grupo Transportes, cujos preços tiveram aumento de 0,79 por cento e impacto de 0,15 ponto percentual no índice.

Reajustes de tarifas de ônibus urbanos nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte e de ônibus intermunicipais em várias regiões influenciaram o comportamento desse grupo.

O IBGE destacou também a elevação dos preços das passagens aéreas, que saíram de uma queda de 2,06 por cento em dezembro para alta de 10,54 por cento em janeiro, e dos preços dos automóveis novos, que passaram de deflação de 0,37 por cento em dezembro para inflação de 0,39 por cento em janeiro

Economistas da LCA Consultores preveem que o grupo Transportes continuará a pressionar o IPCA, apesar da expectativa de uma nova rodada de quedas nos preços dos combustíveis. “Esperamos uma intensificação das altas em ônibus urbano e intermunicipal, bem como nova alta de automóvel novo”, afirmaram os economistas da LCA, em nota.

O grupo Alimentos e Bebidas desacelerou levemente a alta de preços, de 1,28 por cento em dezembro para 1,25 por cento em janeiro, mas também pressionou a taxa do mês, com impacto de 0,29 ponto percentual. Para os economistas da LCA, esse grupo deve apresentar, no resultado fechado do IPCA, uma taxa tão alta quando a do índice preliminar.

“O subgrupo Alimentação fora do domicílio se mostrou um foco de pressão bastante relevante nesta leitura parcial de janeiro e o item Hortaliças e verduras, pela sazonalidade das chuvas, também deverá incomodar”, disseram.

A refeição consumida fora do domicílio acelerou a alta de preços para 1,63 por cento em janeiro, ante 1,13 por cento em dezembro, e ficou com o maior impacto individual em janeiro, de 0,08 ponto percentual.

Entre os alimentos consumidos no domicílio, destacaram-se as altas do preço do tomate, que saiu de uma deflação de 1,63 por cento em dezembro para aumento de 11,22 por cento em janeiro, e do feijão carioca, que passou de elevação de 2,51 por cento para 10,42 por cento.

Somados, os grupos Transportes e Alimentos representaram 68 por cento do IPCA-15 de janeiro, com impacto de 0,44 ponto percentual.

PROJEÇÕES DO IPCA

Diante da aceleração do IPCA-15, os economistas vão começar a revisar suas projeções para o índice fechado do mês, disse Perfeito. Ele afirmou que vai recalcular sua própria estimativa para o IPCA de janeiro, que era de 0,52 por cento.

O economista lembrou que o relatório Focus desta semana trouxe uma estimativa de IPCA em 0,58 por cento no mês de janeiro, segundo a mediana de projeções. “Isso já deve subir no Focus da semana que vem”, afirmou.

Na LCA Consultores, os economistas projetam o indicador cheio de janeiro ao redor de 0,60 por cento. Em dezembro, o IPCA subiu 0,50 por cento, após alta de 0,52 por cento em novembro.