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Investimentos no Brasil deve chegar a R$ 4 tri até 2016, diz BNDES

Segundo projeções do banco, montante esperado para os próximos quatro anos é 29% superior ao quadriênio anterior

Por Da Redação - 6 mar 2013, 11h22

Os quase 4 trilhões de reais de investimentos que devem ser realizados no Brasil no quadriênio 2013/2016 é a maior cifra identificada pela pesquisa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizada desde 2006. O mapeamento, divulgado na terça-feira pelo BNDES, é “um primeiro sinal” de retomada do investimento”, segundo Fernando Puga, economista-chefe do banco e superintendente da área de pesquisa.

Junto com a indústria e a agropecuária, o investimento foi vilão do fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, que cresceu apenas 0,9%. Apesar de o valor monetário do investimento previsto entre 2013 e 2016 ser recorde, a taxa de crescimento em relação ao levantamento anterior não é a maior já registrada. Entre a pesquisa do quadriênio 2008/2011 e a do quadriênio 2013/2016, a previsão de alta do investimento cresceu 29%.

“Em 2007 e em 2008, antes da crise, a taxa era maior e os investimentos cresciam em todos os segmentos”, observa Puga. Hoje, no entanto, essa tendência não é uniforme. Prova disso é que, dos 21 segmentos pesquisados, em três é esperada retração no investimento nos próximos quatro anos: indústria extrativa mineral, indústria sucroalcooleira e siderurgia.

O setor de infraestrutura deve ser o grande destaque. Com os inúmeros projetos que vão ser concessionados nos próximos anos, o BNDES estima que até 2016 sejam aplicados 489 bilhões de reaus em energia elétrica, telecomunicações, saneamento, transporte rodoviário, ferroviário, portos e aeroportos. Esse montante é 36,2% maior em relação ao quadriênio anterior (2008/2011). A fatia da indústria no total investido é maior, passa de 1 trilhão de reaus até 2016, mas a taxa de crescimento é menor (22%) comparada à da infraestrutura.

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A pesquisa do BNDES considera investimentos nacionais, estrangeiros e de várias fontes de financiamento. Os dados são levantados não só nos planos estratégicos das empresas, mas também consideram as análises de mercado, não apenas as informações dos bancos. O ano de 2012 foi expurgado do levantamento para não misturar o investimento projetado, explica o economista.

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Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), observa ao jornal O Estado de S. Paulo que o resultado da pesquisa do BNDES é coerente com as projeções feita pela sua entidade. A associação projeta que o investimento anual desses setores de infraestrutura (tirando petróleo e gás, que o BNDES não considerou na pesquisa), que somou 103 bilhões de reais no ano passado, atinja a cifra anual de 165 bilhões de reais em 2016.

Só o investimento no segmento de transporte e logística deve saltar de uma base anual de 31 bilhões de reais para 65 bilhões de reais. “O resultado é animador”, diz Godoy. Mas ele ressalta que faltam estruturas regulatórias que permitam modelagens desses projetos para atrair especialmente o capital estrangeiro.

(com Estadão Conteúdo)

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