Investigado pelos EUA, Pix aguarda novas funções desenvolvidas pelo BC
Sistema de pagamento brasileiro segue com agenda de inovação para 2026 e os próximos anos
O governo dos Estados Unidos trabalha em uma ofensiva contra o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Em relatório publicado na terça-feira, 31, pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o país aponta supostas práticas desleais do Brasil, incluindo o Pix. O sistema contaria, segundo os investigadores, com tratamento preferencial dado pelo Banco Central do Brasil, com potencial para prejudicar empresas americanas de pagamento e cartões de crédito. A despeito de ameaças de sanções, o Brasil segue desenvolvendo o seu sistema de pagamentos próprio.
O Banco Central (BC) tem uma ampla agenda de inovação para o Pix, com o desenvolvimento de novas funcionalidades. Algumas atualizações estão previstas ainda para este ano, como é o caso do Pix para pagamento de duplicatas escriturais, em alternativa aos boletos bancários, a fim de tornar a antecipação de recebíveis mais acessível. Também em 2026 a disponibilidade da chamada “cobrança híbrida” pelos bancos deve ser tornada obrigatória. Com isso será possível pagar via QR Code cobranças que apresentam possibilidade de pagamento com arranjo de boletos.
A adequação do Pix à reforma tributária sobre o consumo é outra prioridade do BC. A mudança no sistema tributário prevê o pagamento de impostos em tempo real ao realizar uma compra eletrônica. Esse aspecto da reforma começa a entrar em vigor em 2027, prazo para o BC adaptar o seu método de pagamento ao novo tipo de recolhimento.
Há grande expectativa no setor bancário acerca da padronização das regras do Pix Parcelado. O BC previa o lançamento das normas definitivas para 2025, mas ele acabou adiado. O parcelamento de compras via Pix já é oferecido por diversas instituições financeiras, mas de forma descoordenada, com cada instituição adotando métodos próprios. A ideia da autoridade monetária é padronizar a modalidade e, assim, estimular a competição entre os bancos nos mesmos termos.
O Pix deve ganhar mais funcionalidades nos próximos anos, a depender do andamento da agenda do BC. A mais chamativa delas — e sem prazo para ocorrer — é a difusão do meio de pagamento no contexto internacional. Atualmente, algumas instituições financeiras que operam fora do Brasil, em países como Argentina e Portugal, já disponibilizam o Pix para seus clientes. O acesso em territórios estrangeiros, no entanto, segue bastante limitado. O Banco Central quer ampliar essa integração interligando o Pix com sistemas de pagamento instantâneos de outros países.
A possibilidade de fazer pagamentos via Pix por aproximação sem internet também é estudada pelo regulador. O usuário poderia pagar contas apenas aproximando o celular sem a necessidade de conexão à rede de internet móvel ou Wi-Fi.





