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Investidor que previu a crise de 2008 reforça aposta em bolha da IA

Michael Burry antecipou para 2027 o prazo para a possível desvalorização de ações de empresas do setor

Por Felipe Erlich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 out 2026, 11h58 | Atualizado em 2 out 2026, 12h33
Investidor que previu a crise de 2008 reforça aposta em bolha da IA Priorize VEJA no Google

Michael Burry, conhecido por antecipar o colapso do mercado imobiliário americano em 2008, está reposicionando suas apostas contra empresas ligadas à inteligência artificial (IA). O investidor agora trabalha com um horizonte mais curto para a concretização de sua tese pessimista: em vez de esperar uma queda das ações até 2028, passou a considerar que o movimento pode ocorrer já em 2027.

A mudança envolve a substituição de parte de suas posições vendidas por opções de venda, instrumentos financeiros que permitem apostar na desvalorização de ativos. Em sua newsletter, Burry afirmou que está antecipando o cronograma de sua previsão e pretende ampliar a exposição a operações alavancadas contra ações do setor, segundo informações do portal americano Gizmodo.

Um dos pontos centrais de sua argumentação é a dependência do setor em relação aos investimentos constantes. Caso as empresas reduzam os recursos destinados à inteligência artificial, a demanda que sustenta parte do crescimento do mercado poderia perder força.

O investidor também questionou a possibilidade de abertura de capital de duas das principais empresas do segmento. Em publicação no X na terça-feira, 29, afirmou que uma forte queda dos mercados que impedisse os IPOs da OpenAI e da Anthropic seria benéfica para a humanidade. Na avaliação dele, as duas companhias poderiam provocar a destruição de trilhões de dólares em capital.

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A discussão sobre a sustentabilidade financeira do setor também envolve o chamado “financiamento circular”. O conceito descreve situações em que empresas e investidores estabelecem relações de financiamento entre si, contribuindo para movimentar recursos dentro de um mesmo ecossistema. Esse mecanismo pode criar uma percepção de demanda mais robusta do que a realidade, uma vez que parte dos recursos circula entre empresas que também são fornecedoras e clientes umas das outras.

A Nvidia é um dos exemplos citados nesse debate. Além de fornecer os chips utilizados na expansão da inteligência artificial, a empresa também investe em outras companhias do segmento, participando de uma dinâmica na qual os recursos destinados ao setor podem retornar, direta ou indiretamente, aos seus próprios fornecedores.

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Quem é Michael Burry

A reputação de Burry no mercado financeiro foi construída durante a crise das hipotecas nos Estados Unidos. Médico de formação e gestor de fundos de hedge, o americano identificou antecipadamente os riscos associados aos títulos lastreados em financiamentos imobiliários de alto risco e apostou contra esses ativos. A estratégia lhe proporcionou ganhos expressivos quando o mercado entrou em colapso, em um episódio que contribuiu para desencadear a crise financeira internacional de 2008.

A história de Burry ganhou projeção com o livro ‘A Jogada do Século: A História do Colapso Financeiro de 2008’, publicado por Michael Lewis em 2010. Cinco anos depois, chegou aos cinemas com ‘A Grande Aposta’, dirigido por Adam McKay e com Christian Bale no papel do investidor. O longa venceu o Oscar de melhor roteiro adaptado em 2016.

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