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Investidor estrangeiro tem maior fuga semanal da bolsa em 18 anos

A última vez que esse volume foi retirado da Bolsa foi em 2008, ano da crise de subprime nos Estados Unidos

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 ago 2026, 11h12 | Atualizado em 19 ago 2026, 11h22
Investidor estrangeiro tem maior fuga semanal da bolsa em 18 anos Priorizar nos meus resultados Google

O investidor estrangeiro retirou 12,6 bilhões de reais da bolsa brasileira no acumulado da semana de 10 a 14 de agosto, segundo dados do site Dados de Mercado consultados por VEJA Negócios nesta quarta-feira, 19. O montante representa a maior saída semanal de capital estrangeiro desde 2008, ano em que aconteceu a crise do subprime nos Estados Unidos. Para analistas e gestores, o movimento ocorre em meio à proximidade das eleições e às incertezas sobre o cenário fiscal brasileiro a partir de 2027.

Werner Roger, gestor da Trígono Capital, afirma que o mercado continua atento às questões fiscal e geopolítica, que podem pressionar os juros globais e manter as taxas elevadas no Brasil. “Há outros riscos, como o próprio El Niño, que tende a reacender a inflação dos alimentos e pode levar o IPCA para fora do teto da meta”, afirma.

Segundo Roger, esse conjunto de fatores contribui para manter a Selic em patamar elevado, o que, na avaliação do gestor, vem pressionando a atividade econômica brasileira. Ele cita como exemplo o aumento dos pedidos de recuperação judicial nos últimos anos, incluindo casos de grandes empresas como Pão de Açúcar, Raízen e, mais recentemente, Casas Bahia.

“Os resultados financeiros das empresas tendem a ser piores neste terceiro trimestre, o que deixa o mercado arisco e faz com que o investidor estrangeiro prefira sair do país”, argumenta.

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Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, pondera que o volume de saída é menos expressivo quando convertido para dólares. Segundo ele, os 12,6 bilhões de reais equivalem a aproximadamente 2,5 bilhões de dólares.

“Isso assusta muito o Brasil, pois essa debandada machuca muito a Bolsa brasileira. No entanto, esse valor em dólares é muito pequeno quando comparado com o tamanho do mercado americano”, explica.

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O que esperar da Bolsa nos próximos dias?

Os especialistas consultados projetam um cenário de maior volatilidade para o Ibovespa à medida que as eleições se aproximam. Nessa quarta-feira, o índice avançava mais de 2% por volta das 11h20. Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, afirma que o mercado brasileiro deve continuar pressionado enquanto o fluxo estrangeiro permanecer negativo.

“Qualquer sinal de maior clareza no cenário político ou de melhora nas perspectivas fiscais pode reduzir o ritmo das saídas, mas, enquanto a incerteza eleitoral dominar, a tendência é de cautela e possíveis novas pressões vendedoras”, afirma.

Já Sant’Anna, da Axia Investing, avalia que o Ibovespa pode devolver parte dos ganhos acumulados no ano. Por volta das 11h desta quarta-feira, 19, o índice subia 1,99%, aos 169.637,83 pontos. No acumulado de 2026, a alta era de aproximadamente 5%.

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Para o especialista, a valorização registrada no pregão ocorre após uma sequência de 11 sessões consecutivas de queda e não necessariamente representa uma mudança de tendência.

“A possibilidade de reeleição do presidente Lula desagrada o mercado pelo lado fiscal. Então, as questões políticas e fiscais devem drenar a Bolsa nos próximos dias e meses, por isso, enxergo a possibilidade de a Bolsa perder toda a alta acumulada do ano”, conclui Sant’Anna.

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