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Inquérito da PF sobre Mundial depende de denúncia do MP

Por Mariana Durão e Tássia Kastner

Porto Alegre – O inquérito da Polícia Federal sobre a fraude com as ações da Mundial, tradicional empresa gaúcha fabricante de alicates, talheres e produtos de beleza, entre outros, aguarda agora a denúncia do procurador da República do Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul, José Osmar Pumes, para que o caso possa ser julgado criminalmente. Antes da avaliação para denúncia, no entanto, o documento passou para a Justiça Federal devido ao pedido de vistas feito pela defesa de um dos indiciados.

Segundo a PF, que investigou o caso, quatro pessoas estiveram diretamente envolvidas em manipulação do mercado de valores mobiliários, formação de quadrilha e insider trading supostamente cometido por pessoas vinculadas a agências autônomas de investimento sediadas em Porto Alegre.

A Operação Insider, em parceria com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foi iniciada em agosto de 2011 após forte oscilação no valor das ações da Mundial. Segundo nota oficial divulgada pela PF, a empresa chegou a valer R$ 1,3 bilhão na bolsa de valores, sendo que, após circularem rumores de manipulação, houve queda superior a 60% no seu valor. A queda brusca no valor dos papéis foi ligada à circulação da informação de fraude, como uma carta anônima na internet.

Em entrevista à Agência Estado, o delegado Sérgio Eduardo Busato, que participou da investigação, explicou que há indícios públicos muito fortes de fraude. “Os fatos relevantes comunicados no período foram bem acima do normal para a empresa, além de balanços inconsistentes”, aponta Busato.

Por meio de nota a empresa diz que “sempre zelou pela estrita confidencialidade de qualquer informação que pudesse influenciar a precificação de suas ações”, além de sempre ter colaborado com as investigações.

Além do possível julgamento criminal, que deverá ser conduzido na primeira vara criminal da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, a CVM também poderá abrir um processo administrativo, que correria em sigilo.

O último posicionamento oficial da comissão diz que a CVM acompanha as oscilações das ações da Mundial desde 2010, observação que se intensificou em abril de 2011 e deu origem a uma apuração de possíveis irregularidades. “Uma vez caracterizada a prática de qualquer ilícito contra o mercado de capitais, (poderá) ensejar acusação e aplicação de penalidades administrativas a todos os responsáveis, sem prejuízo de eventuais repercussões dos fatos também nos campos civil e criminal”, diz o posicionamento.