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Injeção de R$ 1,2 tri garante tranquilidade na crise, diz presidente do BC

Medidas servem para garantir recursos para que empresas consigam atravessar o período de isolamento

Por Reuters - Atualizado em 23 mar 2020, 18h23 - Publicado em 23 mar 2020, 16h43

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou, nesta segunda-feira, 23, que a instituição tem grande arsenal para fazer frente a qualquer tipo de crise, ao comentar o potencial destrutivo da economia do novo coronavírus. A fala foi feita após a divulgação de medidas e ações em estudo que, juntas, implicam uma injeção de 1,2 trilhão de reais no sistema financeiro nacional.

Em entrevista coletiva realizada por videoconferência, Campos Neto defendeu que o sistema financeiro brasileiro é sólido e está habilitado para “funcionar perfeitamente”. Ele disse ainda que o BC “está absolutamente tranquilo” e disponível para prover o incentivo que for necessário.

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“A gente está falando mais ou menos de 16,7% do PIB (Produto Interno Bruto), comparando com o que foi feito em 2008, que foi 3,5% do PIB”, disse Campos Neto. “O que nós estamos querendo passar é que nós temos uma ampla capacidade de atuação. O que já foi feito e o que está sendo anunciado hoje representa o maior plano de injeção de liquidez da história do país.”

O presidente do BC avaliou que a crise desta vez vem da economia real, diferentemente da de 2008, que decorreu de grande movimentos de especulação financeira, gerando uma percepção de que os bancos como um todo tinham problemas. Agora, a turbulência econômica desencadeada pelo coronavírus é “totalmente diferente”, sem problemas identificados nos balanços das instituições, frisou.

O BC enxergou a crise “em ondas”, disse Campos Neto, indicando que inicialmente o temor era de que ela iria atrapalhar a produção de bens, especialmente em grandes centros afetados, como China, Coreia e Estados Unidos. Como a avaliação era de que a economia brasileira é relativamente fechada, o efeito no país acabaria menor.

Numa segunda onda, entretanto, o BC passou a antever forte impacto na área de serviços por conta das quarentenas, com um efeito indireto também importante, ligado à redução da renda e dificuldades maiores na obtenção de crédito por parte da população. “Só as perdas na bolsa somam 1,6 trilhão de reais”, afirmou Campos Neto.

A injeção de recursos na economia brasileira, de acordo com o presidente do BC, se dá para garantir o provimento de fluxo de caixa às empresas para que atravessem o período de isolamento imposto para frear a disseminação do vírus. Campos Neto argumentou que essa nova dinâmica de distanciamento social quebrará cadeias produtivas e impactará fortemente o setor de serviços, que representa 63% do PIB brasileiro. Por isso, o BC também está estudando medidas para assegurar o direcionamento do crédito para pequenas e médias empresas, partindo do pressuposto de que elas sofrerão mais.

Sobre o câmbio, Campos Neto ressaltou durante a coletiva que a moeda é flutuante, mas que a autoridade monetária também tem arsenal grande nessa área do qual pode lançar mão se entender necessário. “Temos um poder de intervenção muito amplo”, disse.

 

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