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Infraero reconhece que precisará de ajuda ‘temporária’ do governo

Segundo o presidente da estatal, recursos serão necessários para custear cerca de 300 milhões anuais em investimentos, devido à concessão dos aeroportos de Confins e Galeão à iniciativa privada

Por Da Redação 2 abr 2014, 21h27

A Infraero reconheceu nesta quarta-feira que precisará de ajuda do governo federal para o custeio de cerca de 300 milhões de reais anuais ao longo dos próximos três anos, devido à concessão dos aeroportos de Confins, em Belo Horizonte, e do Galeão, no Rio de Janeiro, à iniciativa privada, afirmou o presidente da estatal, Gustavo do Vale.

Segundo ele, a redução da participação controladora da Infraero nos dois aeroportos após a concessão fará com que a ajuda do governo federal seja necessária para o reequilíbrio das contas – pelo menos até que os ganhos com as concessões comecem a surgir.

Após as concessões, a participação da Infraero nos aeroportos caiu para 49%. O consórcio integrado pela Odebrecht Transport venceu no aeroporto do Galeão e o grupo liderado pela CCR, em Confins.

Além deles, o governo concedeu à iniciativa privada os terminais de Viracopos (SP), Guarulhos (SP) e Brasília, que também eram administrados pela Infraero. “São cinco aeroportos dos mais importantes para nós e teremos uma perda de receita significativa”, disse Vale.

De acordo com ele, a partir de agosto, quando será efetivada a transferência do controle de Galeão e Confins à iniciativa privada, a Infraero começará a contabilizar perdas de receita – que, atualmente, garante 400 milhões de reais ao ano, o equivalente a 20% do faturamento total da estatal.

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O executivo ponderou que apesar da redução nos custos da autarquia por conta também das concessões, a ajuda financeira do governo federal será necessária. A forma como essa ajuda poderá ser dada à Infraero ainda não foi definida. “Estamos estudando uma solução com o Ministério do Planejamento, a Casa Civil e a Secretaria de Aviação Civil para que a Infraero consiga se sustentar do ponto de vista de custeio”, disse Vale.

O presidente da Infraero lembrou que após as concessões, a estatal continuará com o controle de 61 aeroportos. Destes, 45 são deficitários, segundo ele. As empresas de navegação aérea do país permanecem com a Infraero e também não dão lucro. “São 91 unidades de navegação e todas são deficitárias”, disse. A Infraero pretende investir esse ano 2,5 bilhões de reais ante 2,3 bilhões em 2013.

Segundo o presidente da Infraero, o orçamento para este ano incluiu obra de um novo aeroporto em Aracaju (400 milhões de reais) e existe a expectativa de haver autorização do Tribunal de Contas da União (TCU) para a continuidade das obras no aeroporto de Vitória (ES), paradas desde 2007.

Nessa quarta-feira, durante a assinatura do contrato de concessão do aeroporto do Galeão à iniciativa privada, o Ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, afirmou que a nova administração poderá reduzir os custos operacionais para as empresas de aviação e abrir possibilidade de redução de preços de passagens aéreas. “A expectativa é que o Galeão melhore seu sistema operacional e que junto com DCEA (com rotas de aproximação menores) vai diminuir os gastos da companhias nas suas operações”, disse ele. “Acho que (redução de custos) implica em redução de preços de tarifas. Isso parece inevitável. Mercado é isso”, afirmou.

Na próxima semana, o contrato de concessão do aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, será assinado entre governo federal e empresas privadas.

(com agência Reuters)

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