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Inflação sobe na China em março e crescimento desacelera

Por Por Boris Cambreleng - 9 abr 2012, 13h24

A China anunciou nesta segunda-feira um aumento da inflação no mês de março, devido principalmente ao encarecimento dos alimentos, mas o governo afirmou que dispõe de uma margem de manobra para estimular a segunda economia do mundo, cujo crescimento tem desacelerado.

O índice de preços ao consumidor, principal termômetro da inflação na China, registrou um aumento de 3,6% em ritmo anual em março, depois do resultado de 3,2% em fevereiro, anunciou o Escritório Nacional de Estatísticas.

Analistas projetavam um índice de 3,3% em março, em um contexto de desaceleração do crescimento.

Segundo os analistas da China Business News, o PIB da segunda economia mundial cresceu 8,4% (comparação anual) no primeiro trimestre, contra 8,9% no trimestre anterior. O dado oficial de crescimento dos três primeiros meses será divulgado nesta sexta-feira.

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Também se espera uma desaceleração do comércio exterior chinês, segundo a mesma fonte. As alfândegas, por sua vez, devem publicar nesta terça-feira os dados oficiais sobre as exportações e importações de todo o mês.

A inflação foi provocada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos, de 7,5% em ritmo anual, o que afeta em particular a população de renda mais modesta, assim como dos combustíveis e autopeças, que subiram 7,6%.

Para o conjunto do primeiro trimestre de 2012, a inflação foi de 3,8%.

Enquanto o índice de preços ao consumidor registrou uma leve alta na comparação com fevereiro, que havia sido a menor em 20 meses, os preços da produção, um indicador avançado da inflação futura, caíram 0,3% em março.

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“Devido à rápida queda dos preços da produção, esperamos uma moderação do índice de preços ao consumo nos próximos meses”, disse em uma nota Qu Hongbin, principal economista para China do banco HSBC.

“O ligeiro rebote do índice dos preços em março (…) se deve principalmente a à alta dos preços das verduras e ao último ajuste dos preços do petróleo”, disse por sua vez por sua vez Tang Jianwei, economista do Banco de Comunicações, um dos quatro grandes bancos comerciais chineses.

A desaceleração da inflação é uma condição para que o governo chinês flexibilize a política monetária em um contexto de crescimento menor.

O primeiro-ministro Wen Jiabao disse no início de março que os preços ao consumo continuam altos e estipulou um teto de 4% para o conjunto do ano.

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Para sustentar a atividade, o banco central chinês reduziu duas vezes as reservas obrigatórias dos bancos desde dezembro, o que permite aos bancos comerciais emprestar mais dinheiro.

Qu, do HSBC, espera “ao menos outra redução das reservas obrigatórias de 100 pontos básicos (um ponto percentual) no primeiro semestre de 2012”, enquanto que o banco J.P. Morgan prevê uma nova queda das reservas a partir de abril, e duas ou três ao longo do ano.

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