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Inflação sobe em maio com energia mais cara e chega 8,06% em 12 meses

IPCA foi a 0,83%, resultado mais alto para o mês desde 1996; todos os grupos de produtos pesquisados aceleraram no período

Por Larissa Quintino Atualizado em 10 jun 2021, 23h30 - Publicado em 9 jun 2021, 09h39

Os dados de inflação continuam com o alerta ligado e, em maio, a conta de luz mais cara foi o que mais impactou o indicador de preços. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira, 9, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, acelerou e fechou maio em 0,83%, após ter ficado em 0,35% em abril. É a maior alta para o mês em 25 anos. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 8,06%.

Vale lembrar que o teto da meta da inflação no ano é de 5,25%, limite da margem de tolerância. Os nove grupos de produtos da cesta do IPCA subiram em maio. Ou seja, além da energia, gasolina e alimentos também tiveram alta, impactando o índice e mostram uma alta generalizada nos preços. Isso deve impactar novamente na taxa básica de juros da economia, a Selic. Na última ata, o Comitê de Política Monetária do Banco Central afirmou que se o comportamento dos preços continuasse em aceleração, os juros continuariam a subir. A próxima reunião do Copom acontece na próxima semana.

“Foi uma conjunção de fatores que levou a esse aumento de 0,83% no mês de maio. Em primeiro lugar, veio a alta da energia e, ao mesmo tempo, houve a volta do aumento da gasolina, que havia caído em abril. Há também o impacto do aumento dos preços dos remédios, dentro do grupo de saúde e cuidados pessoais, e ainda uma recuperação do setor de vestuário. Todos esses fatores contribuíram para esse resultado”, explica Pedro Kislanov, gerente da pesquisa. 

O maior aumento foi no grupo de habitação, que subiu 1,78% com o impacto da conta de luz, que acelerou 5,37% no mês. “A alta da energia elétrica se deve a dois fatores. O primeiro deles foi que em maio passou a vigorar a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que trouxe uma diferença grande em relação à bandeira amarela, que estava em vigor de janeiro a abril. O outro fator é a série de reajustes que houve no final de abril em várias concessionárias de energia elétrica espalhadas pelo país”, analisa Kislanov. A bandeira tarifária vermelha patamar 1 acrescenta 4,169 reais na conta de energia a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Vale lembrar que a pressão da energia deve continuar. Em junho a operação é na  bandeira vermelha 2, que tem o custo adicional de 6,23 reais para cada 100kWh consumidos.

Além da alta da energia, o grupo habitação também teve  impacto dos aumentos na taxa de água e esgoto (1,61%), do gás de botijão (1,24%) e do gás encanado (4,58%). O grupo é muito afetado pelos chamados “preços administrados”, isto é, que tem reajustes periódicos e estão pressionando mais o bolso do brasileiro neste ano após terem reajustes congelados ou mais tímidos em 2020.

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O segundo maior impacto no índice veio do grupo transportes, que teve aumento de 1,15% em maio. Aqui, o maior impacto foi a alta de 2,87% da gasolina, cujos preços haviam caído 0,44% em abril. “Houve esse recuo, em abril, porque no fim de março houve duas reduções no preço da gasolina nas refinarias, mas depois houve outros reajustes, que acabam chegando ao consumidor final”, diz o pesquisador. Outros produtos do grupo também tiveram seus preços aumentados, como o gás veicular (23,75%), o etanol (12,92%) e o óleo diesel (4,61%).

No caso dos alimentos, a pressão veio na alimentação fora do domicílio. Os preços na alimentação no domicílio desaceleraram (0,23%) frente a abril, quando haviam tido alta de 0,47%. Essa desaceleração foi causada, especialmente, pela queda nos preços das frutas, cebola e arroz. As carnes tiveram mais um mês de alta e acumulam aumento de 38% nos últimos 12 meses. 

Para Kislanov, o aumento das carnes é um dos fatores que explicam por que comer fora de casa ficou mais caro. A alimentação fora do domicílio registrou alta de 0,98% em maio e, no mês anterior, havia subido 0,23%. As altas do lanche (2,10%) e da refeição (0,63%) contribuíram para o aumento. Em abril, os dois itens tiveram queda em seus preços.

“Um dos motivos que podem explicar esse comportamento na alimentação fora de casa é o aumento de custos, devido à alta nos preços das proteínas. Normalmente quando se faz uma refeição fora de casa, há mais o consumo de componentes como o pão, a carne e o arroz, por exemplo, do que das frutas. Outro aspecto é o possível aumento de demanda. Abril foi um mês em que houve intensificação das medidas restritivas. Já maio, por ter tido uma abertura maior, pode ter influenciado o aumento da demanda”, diz Kislanov.

O IPCA se refere às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos (44.000 reais mensais) e é medido por uma cesta de consumo, atualizada a cada cinco ou dez anos. A última, atualizada em 2020, traz peso maior nos transportes, seguido pela alimentação. Assim, a inflação pode ter peso diferente no orçamento das famílias brasileiras e nem sempre a pressão dos preços medida pelo indicador e sentida pelo consumidor tem a mesma proporção.

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