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Inflação sobe em dezembro e fecha 2012 em 5,84%

IPCA encerrou o ano dentro da meta estabelecida pelo BC; indicador acelerou em dezembro; é o maior resultado em um mês desde março de 2011

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2012 em 5,84%, após avançar 0,79% em dezembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Com o resultado, o governo cumpriu a meta de inflação do ano passado, estipulada em 4,5%, com margem de dois pontos porcentuais para mais ou menos, entre 2,5% e 6,5%.

O indicador, no entanto, manteve-se em níveis considerados elevados, próximo ao teto, deixando a luz amarela acesa em 2013 para elevadas pressões sobre os preços. Há três anos, a inflação oficial do país tem ficado próxima ao topo da meta de tolerância. Em 2011, o IPCA fechou exatamente no teto de 6,5%, enquanto que em 2010, em 5,91%.

O resultado de dezembro, que é o maior desde março de 2011 (0,79%), indica aceleração ante novembro, quando foi registrada alta de 0,6%. A mediana das projeções de analistas indicava alta de 0,74% no mês passado, com as estimativas variando entre 0,65% e 0,79%. Para o acumulado em 12 meses, a expectativa era de alta de 5,79% segundo previsões que variaram de 5,7% a 5,84%.

Destaques – De acordo com o IBGE, no ano passado, os itens que tiveram maior variação no IPCA foram os de Alimentação e bebidas e de Despesas pessoais, com altas acumuladas de 9,86% e 10,17%, respectivamente. Em 2012, os itens que tiveram menor variação de preços, ainda segundo o IBGE, foram os de Transportes (0,48%) e o de Artigos de residência (0,84%).

Só em dezembro, dos nove grupos pesquisados, seis mostraram aceleração nas altas quando comparado com novembro, com destaque para Alimentação e bebidas (passando de 0,79% para 1,03%) e Despesas Pessoais (0,53% para 1,6%).

Cautela – O Banco Central (BC) ficará atento aos próximos dados de inflação, que devem ser determinantes para a possibilidade de a Selic, hoje na mínima histórica de 7,25% ao ano, voltar a subir. Por enquanto, o mercado vê a taxa básica de juros estável ao longo deste ano todo.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou nesta quinta-feira em comunicado que, no curto prazo, a inflação mostra resistência. Mas ele defendeu que as perspectivas são de que a inflação vai declinar ao longo de 2013. No entanto, Tombini não falou que a inflação caminhará para o centro da meta neste ano.

Em outras ocasiões, o presidente do BC havia defendido que a inflação convergiria para o centro do objetivo. Em 2013, a meta continua em 4,5%, com as mesmas margens de dois pontos porcentuais. Ao lembrar que houve recuo da inflação em relação a 2011, Tombini destacou as pressões decorrentes das commodities agrícolas.

“Na segunda metade de 2012, observaram-se pressões de preço decorrentes de choques desfavoráveis no segmento de commodities agrícolas, dentre outros fatores”, disse. Para 2013, o mercado calcula que o IPCA terá alta de 5,49%, segundo pesquisa do Focus, do próprio BC, da última semana.

(com agência Reuters)