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Inflação na zona do euro atinge em março mínima em 5 anos

Preços ao consumidor subiram apenas 0,5% na comparação anual, abaixo do estimado pelo mercado e do visto em fevereiro, um sinal vermelho para o BCE

A inflação na zona do euro atingiu em março o menor nível desde novembro de 2009, uma desaceleração surpreendente que aumenta as expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) tomará alguma medida radical para frear a ameaça de deflação no bloco monetário. Segundo a agência de estatísticas Eurostat, a inflação ao consumidor nos 18 países que compartilham o euro foi de 0,5% em março em relação ao mesmo mês do ano passado, ante 0,7% visto em fevereiro.

Economistas esperavam uma leitura de 0,6%, que já era considerado um resultado preocupante para uma economia que está se recuperando a passos lentos da crise que quase rompeu a zona monetária.

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A inflação está há seis meses na “zona de perigo” do BCE – abaixo de 1% -, e a leitura preliminar aumenta as chances de o BCE cortar a taxa de juros quando seu Conselho se reunir na quinta-feira. Também cresceram as especulações de que o banco possa adotar outras medidas como estipular uma taxa de depósito negativa ou mesmo estabelecer um programa de compra de títulos no estilo dos Estados Unidos.

Vale ressaltar, porém, que a Páscoa tardia neste ano também adiou o impacto da alta dos preços de viagens e hotéis, quando muitas pessoas viajam na Europa. Assim, há uma esperança em abril, o que pode levar o banco central da região a esperar até a reunião de junho para agir.

“Isso manterá muito viva a possibilidade de mais afrouxamento da política monetária”, disse Nick Kounis, chefe de pesquisa econômica do ABN Amro. “Entretanto, o banco central tem mostrando bastante tolerância com a inflação baixa recentemente.”

O BCE, cuja meta é de inflação pouco abaixo de 2%, deixou os custos de empréstimos inalterados em 0,25% em março e argumentou que os riscos de deflação no bloco são limitados.

(com agência Reuters)