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Inflação desacelera para 0,37% em maio – mas encosta no teto da meta

IPCA desacelerou ante abril, quando marcou alta de 0,55%, mas alcançou teto da meta do governo em 12 meses, de 6,5%

Por Da Redação 7 jun 2013, 09h25

A inflação oficial desacelerou para 0,37% em maio na relação com abril, quando marcou 0,55% de alta, conforme divulgou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, no acumulado de 12 meses, a inflação encostou no teto da meta do governo, de 6,5%, depois de ter desacelerado para 6,49% em abril. Em seu regime trimestral de metas, o Banco Central (BC) defendeu a tesa de que a inflação desaceleraria a partir do segundo trimestre, o que não foi visto nem em abril e nem agora em maio. Em abril do ano passado, o indicador registrara alta de 0,36%.

No acumulado do ano os preços marcaram alta de 2,88%, maior do que os 2,5% vistos entre janeiro e abril. O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial do país, havia mostrado tendência de desaceleração em maio, ao passar de 0,51% de abril para 0,46% no mês passado. Em 12 meses, o índice também diminui de 6,51% para 6,46% no quinto mês, voltando para dentro da banda do regime de metas.

Economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) para o relatório semanal Focus apostam em alta de 5,8% este ano – projeção que desacelerou um pouco (de 5,81%) após o Comitê de Política Monetária (Copom) elevar para 8% a taxa básica de juros (Selic) na semana passada.

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Na ata do Copom, divulgada nesta quinta-feira, o órgão explicou que a alta da Selic em 0,5 ponto percentual foi necessária após análises técnicas mostrarem tendência de alta da inflação em 2013 e 2014. “O Copom avalia que, no curto prazo, a inflação em doze meses ainda apresenta tendência de elevação e que o balanço de riscos para o cenário prospectivo (futuro) se apresenta desfavorável.”

A mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2013 elevou-se de 5,68% para 5,81%, de acordo com o Copom. Para 2014, a mediana das projeções de inflação elevou-se de 5,70% para 5,80%, levando em consideração o cenário de referência (juro a 7,5% ao ano e dólar a 2,05 reais). No mês de abril, o órgão havia constatado uma tendência de queda da inflação para 2013 (que passaria de 5,70% para 5,68%), mas já via uma aceleração dos preços no ano que vem (perspectiva passou de 5,50% para 5,70%).

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Assim, indicou que terá pulso firme no combate à alta dos preços este ano, para reverter essa tendência e “salvar” o próximo ano. “Essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio (2013) e assegurar que essa tendência persista no próximo ano (2014)”, informa a ata da reunião finda no dia 29 de maio.

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Destaques – O grupo Alimentação e Bebidas, vilão dos últimos meses, desacelerou entre abril (0,96%) e maio (0,31%), ficando em terceiro lugar entre os maiores impactos do o indicador no mês passado. Os grupos Habitação e Saúde e Cuidados Pessoais foram os dois grandes vilões da vez. Enquanto o primeiro subiu de 0,62% para 0,75% em maio, o segundo mostrou desaceleração, passando de 1,28% para alta de 0,94%. Vale destacar que, como em abril, o item remédios lidera os principais impactos no IPCA de maio, detendo, sozinhos, 0,06 ponto percentual de alta.

Ainda segundo o IBGE, entre abril e maio, vários produtos alimentícios ficaram mais baratos, a começar pelo tomate, cujos preços caíram 10,31%. A cebola, o açaí, as hortaliças, ovos de galinha e pescados também despencaram no quinto mês. No ano, contudo, a cebola, o tomate e o açaí ainda se destacam pela alta acumulada, de 67,22%, 54,98% e 47,77%, respectivamente. Em 12 meses, o tomate continua com alta acumulada de 96,28%, mas a batata inglesa dispara na liderança, com aumento de 130,40% de preços. A cenoura também surpreende ao marcar alta de 75,0,9% nesta base de comparação.

Oferta maior de alimentos – Na avaliação do IBGE, a desaceleração do IPCA foi motivada, sobretudo, pelo aumento da oferta de produtos alimentícios diante de uma safra recorde em 2013 e da melhora do clima, que favoreceu a colheita dos in natura e pela desoneração de uma cesta de produtos pelo governo.

O órgão acredita que, por causa de uma oferta maior de alimentos, os preços subiram com menos intensidade em maio do que em abril. “Houve uma mudança de tendência na inflação dos alimentos. Não é possível saber o quanto tem a ver com a safra e o quanto, com a desoneração”, afirmou a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes do Santos.

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