Inflação desacelera em junho e fica abaixo do esperado pelo mercado
Indicador ficou em 0,16% em junho. Desaceleração dos custos de habitação e deflação registrada nos alimentos ajuda a explicar comportamento do índice
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,16% em junho, mostram dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 10. O número ficou abaixo das expectativas do mercado, que estimava um IPCA de 0,31% para o período. O resultado também representa uma desaceleração ante maio, quando a inflação do período foi de 0,58%.
No ano, o IPCA acumula alta de 3,36% e, nos últimos doze meses, o índice ficou em 4,64%, abaixo dos 4,72% dos 12 meses imediatamente anteriores. Ainda assim, o indicador está acima do teto da meta, que é de 4,5%. Em junho de 2025, a variação havia sido de 0,24%.
Em junho, a maior variação e o maior impacto vieram do grupo habitação. O segmento desacelerou de maio (1,22%) para junho (0,63%). A redução aconteceu com o recuo na conta de energia elétrica residencial que saiu de 3,67% para 1,53%, ainda figurando como o principal impacto individual no resultado do mês com alta de 0,06 ponto percentual.
Porém, a deflação registrada no grupo de alimentos e bebidas (queda de 0,24%) e também dos combustíveis – com queda no etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%) – ajudam a explicar o comportamento do índice, abaixo das projeções
No caso dos alimentos, a alimentação no domicílio variou -0,39%, ante a alta de 1,65% de maio, com influência das quedas do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%) e das carnes (-0,64%). No lado das altas destacam-se o feijão-carioca (8,31%) e a batata-inglesa (3,57%). A alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,49% em maio para 0,15% em junho com o lanche saindo de 0,49% para 0,13% e a refeição de 0,51% para 0,15% no mesmo período.
No grupo de transportes acelerou para 0,17% no mês, puxado pela alta de 7,12% das passagens aéreas, porém, o recuo de 0,48% nos combustíveis, influenciou o IPCA. No subitem ônibus urbano (0,72%), ocorreram variações em razão de gratuidade ou redução tarifária aos domingos e feriados em Belo Horizonte (3,67%), Brasília (3,52%), Belém (3,41%) e Curitiba (1,64%).
Os demais grupos apresentaram variações entre o -0,02% observado em Educação e alta de 0,25% em despesas totais.
No que concerne aos índices regionais, a maior variação (0,52%) foi registrada em Brasília, por influência das altas da passagem aérea (11,05%) e da gasolina (1,74%). A menor variação ocorreu em Recife (-0,04%), por conta do recuo do tomate (-22,56%) e da gasolina (-1,99%).







