Inflação controlada deve gerar novo ajuste monetário, sinaliza Campos Neto

Entretanto, presidente do BC enumera possíveis riscos inflacionários, como frustração de expectativas sobre reformas e cenário externo

Por da Redação - Atualizado em 30 ago 2019, 16h16 - Publicado em 30 ago 2019, 15h43

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta sexta-feira, 30, que a consolidação de um cenário de inflação favorável deverá permitir “ajuste adicional” no grau de estímulo monetário. A taxa básica de juros do país, a Selic, caiu de 6,5% para 6% ao ano, em julho, renovando a mínima histórica.

A fala do presidente do BC veio ao fim de uma semana de forte volatilidade nos mercados. Na quarta, o dólar chegou aos 4,19 reais no intraday (durante o pregão) e, em contrapartida, a instituição vendeu moedas à vista para controlar sua cotação. Por este motivo, uma parcela do mercado reduziu as apostas sobre novos cortes da taxa básica de juros, acreditando que a autoridade monetária estaria preocupada com a variação do câmbio e seus efeitos sobre a inflação — afetando o cenário para a Selic.

“Os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, disse Campos Neto, em evento organizado pela Câmara Espanhola de Comércio no Brasil, em São Paulo. De acordo com ele, a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa — com taxas de juros abaixo da taxa estrutural — também chamada de taxa neutra ou taxa de equilíbrio — é aquela que, teoricamente, não estimula nem restringe a economia.

O presidente do BC também voltou a citar fatores de risco à inflação, como “eventual frustração das expectativas” sobre as reformas econômicas e “reversão do cenário externo benigno para economias emergentes”. Para Campos Neto, o “elevado” nível de ociosidade da economia pode, por outro lado, continuar produzindo trajetória prospectiva para a inflação abaixo do esperado. Porém, ele reiterou que o risco relacionado às reformas, que na avaliação do BC tem efeito altista sobre a inflação, “ainda é preponderante”.

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Na véspera, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,4% no segundo trimestre ante os três primeiros meses do ano, puxado pela alta de 0,7% da indústria.

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