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Inflação baixa reflete fraco desempenho da economia

Entre os fatores que impedem a retomada vigorosa do crescimento estão o desemprego elevado, as incertezas eleitorais e o cenário externo

Por Fabiana Futema Atualizado em 11 Maio 2018, 13h52 - Publicado em 10 Maio 2018, 13h03

A inflação oficial continua abaixo do piso da meta definido pelo Banco Central para 2018. Números divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula uma alta de 2,76% nos últimos 12 meses encerrados em abril – a meta da inflação é de 4,5% para o ano, com piso de 3%.

Especialistas ouvidos por VEJA afirmam que esse desempenho é reflexo do fraco desempenho da economia, motivado pelo principalmente pelo desemprego elevado e redução da massa salarial, combinação que reduz a confiança dos consumidores e inibe as compras.

“Desde o ano passado, a inflação tem ficado abaixo da meta. Só vai atingir a meta se a inflação acelerar muito daqui para a frente. Isso é reflexo da desaceleração da economia, que ainda não deu sinais de melhora”, afirma André Diz, professor de macroeconomia do Ibmec/SP.

Entre os fatores que impedem a retomada vigorosa do crescimento estão as incertezas eleitorais. De acordo com os especialistas, empresários seguram investimentos e contratações enquanto o cenário eleitoral não fica mais definido. “Está todo mundo aguardando a próxima rodada de pesquisa eleitoral”, diz Ricardo Balistiero, mestre em economia e coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia.

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Balistiero também atribui o fraco desempenho da economia à dificuldade do governo de aprovar a reforma da Previdência. “A reforma mais importante fiscal ficou de lado, depende de articulação forte no congresso, que não aprova nada de interesse do país, ainda mais se for impopular. Preocupa que nenhum possível candidato, de Guilherme Boulos e Jair Bolsonaro, assumiu essa reforma.”

Uma coisa parece certa: o cenário de inflação baixa mantém espaço para mais um corte de 0,25% na taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. “Por mais que exista turbulência no mercado externo, como a questão do dólar e do petróleo, o Copom ainda deve realizar mais um corte de juros, pois a economia ainda está patinando”, afirma Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos. “A recuperação está mais lenta do que se gostaria, o crédito continua caro e isso afeta a confiança na economia.”

Cenário externo

André Diz afirma que o aumento do dólar pode impactar o preço das commodities, como soja e milho, e petróleo, trazendo efeito para os preços internos. “O aumento do petróleo pesa sobre a gasolina e diesel, encarecendo gastos com frente e transporte. O diesel, por exemplo, acumula alta de 4,02% até abril, muito maior que o aumento de 0,22% verificado em igual período do ano passado.”

Sobre o aumento do dólar, ele afirma que é efeito da expectativa de novos aumentos dos juros americanos. “Do ponto de vista do Brasil. estamos mais preparados que a Argentina para enfrentar o aumento do dólar, pois temos uma reserva significativa.”

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