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Indústria trava alta do PIB, mas retomada já começou

Cenário para 2012 é positivo e economia deve crescer 3,3% após governo acertar política monetária, dizem especialistas

Segundo economista, o Banco Central passou a corrigir seu próprio erro em agosto, quando iniciou a reverter o quadro monetário durante o segundo semestre

A economia brasileira não cresceu mais em 2011 devido ao baixo desempenho do setor industrial e ao erro na política monetária do governo no começo do ano passado, disseram especialistas consultados pelo site de VEJA após anúncio de alta de 2,7% do PIB no ano passado. Enquanto o avanço da economia foi puxado pelo aumento de 4,3% na arrecadação de impostos e 3,9% da agropecuária, a indústria avançou apenas 1,6%. O setor de serviços cresceu 2,7%.

Segundo Robert Wood, analista sênior do Economist Intelligence Unit para a América Latina, o crescimento ficou dentro das expectativas do mercado. “O destaque foi a confirmação que a indústria continua sofrendo”, diz Wood. “O quarto trimestre [crescimento de 0,3%] foi puxado para baixo pela indústria”.

Para o analista, a revisão do PIB para retração de 0,1% no terceiro semestre não muda o cenário de recuperação com o relaxamento da política monetária. “Nós esperamos 3,3% de crescimento em 2012”. Segundo relatório Focus divulgado nesta terça-feira pelo Banco Central, o mercado espera a mesma projeção para a economia brasileira neste ano. O governo, no entanto, trabalha com outros números e espera crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012 entre 4,5% e 5%.

Para atingir a meta, o governo trabalha com a possibilidade de implantar novas medidas de estímulo econômico. Segundo disse o ministro da Fazenda Guido Mantega nesta terça-feira, o governo deve conceder estímulos à indústria e trabalhar para que os bancos públicos possam reduzir juros e spreads bancários. O ministro, porém, não especificou quais medidas seriam adotadas para beneficiar a produção industrial.

Política monetária – A ação do governo para frear a alta da inflação no primeiro semestre do ano passado é vista como o motivo do resultado tímido do quarto semestre. “Como esperado, a economia brasileira terminou o ano passado com um crescimento desacelerado, diminuído pelas restrições monetárias impostas para combater a inflação”, diz Alfredo Coutiño, diretor da Moody’s Analytics para a América Latina.

Coutiño chama de “desnecessário” e “prematuro” o aperto monetário imposto. “[As medidas] deterioraram a competitividade da indústria”. Segundo o economista, o Banco Central passou a corrigir seu próprio erro em agosto, quando iniciou a reversão do quadro monetário durante o segundo semestre e passou a baixar os juros referenciais. “Graças à retificação monetária, o PIB começou a mostrar sinais incipientes de vida no fim de 2011”. Nesta quarta-feira, o Copom deve anunciar redução de 0,5 ponto percentual na taxa Selic (atualmente em 10% ao ano), aponta a última previsão do mercado medida pelo Banco Centrel (BC).

Para este ano, o diretor da Moody’s também prevê um cenário otimista. “Este ano, a economia vai trabalhar sem as restrições do freio monetário e com o estímulo dos investimentos em infraestrutura necessários para a Copa do Mundo de 2014”.

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