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Indústria da construção decide investir menos nos próximos 12 meses

Pesquisa da GO Associados mostra que 43% das empresas do setor vão cortar investimentos

Por Da Redação - 30 mar 2015, 13h27

A crise de confiança que se abateu sobre o Brasil com o baixo desempenho da economia, manobras fiscais do governo federal e a Operação Lava Jato derrubou a perspectiva de investimento do setor de construção civil nos próximos meses. Uma pesquisa feita pela consultoria GO Associados a pedido da Associação Paulista de Obras Públicas (Apeop) mostra que 43% das empresas do setor vão cortar investimentos nos próximos 12 meses e outras 43% vão se manter no patamar atual.

A decisão deve contribuir para uma queda de 5,1% no Produto Interno Bruto (PIB) do setor, que já havia recuado 5,6% no ano passado. Segundo o sócio da GO Associados, Gesner Oliveira, responsável pelo Boletim Trimestral da Apeop, vários fatores explicam esse mau humor entre as empresas.

De um lado, afirma ele, está o segmento do mercado imobiliário, que sofre com estoques elevados decorrentes da menor capacidade de pagamento dos brasileiros por causa da alta dos juros e queda na renda. Na outra ponta estão as empresas que dependem das obras públicas e, portanto, estão sofrendo o impacto do ajuste fiscal do governo federal.

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Muitas obras executadas pelas empresas ainda não foram pagas pelo governo, afirma o diretor da Apeop, Carlos Eduardo Lima. Segundo ele, até meados de março, a conta de projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com pagamentos atrasados já somava 5 bilhões de reais.

No quadrimestre, a expectativa é de que os pagamentos feitos pelo governo recuem 23% em relação a 2014, completa Lima. Junta-se a isso os problemas de dezenas de empresas envolvidas na Operação Lava Jato que não têm conseguido tocar em dia as obras e, algumas delas, tem entrado em recuperação judicial.

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Deterioração – A atual edição do boletim da associação mostra, além da baixa disponibilidade de investimento, uma deterioração nas expectativas dos empresários em relação à economia. Para 88% das empresas, as expectativas pioraram ou pioraram muito para os próximos três meses.

Com a quebra de empresas tradicionais do setor de construção por causa da Lava Jato, o governo terá de criar alternativas se quiser colocar de pé um novo programa de concessões de projetos nas obras de infra estrutura.

Na avaliação de Gesner Oliveira, o poder público precisa reforçar os efeitos mitigadores para recuperar os investimentos. Segundo ele, uma das alternativas seria criar uma agenda positiva (com PPPs e concessões) capaz de acomodar as empresas médias do setor de construção.

(Com Estadão Conteúdo)

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