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Indústria cresce entre 2% e 2,5% neste ano, prevê CNI

Por Rafael Moraes Moura

Brasília – O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Braga de Andrade, deixou claro a insatisfação com o atual desempenho da economia brasileira. “Eu acho que nós não podemos nos dar por satisfeitos com este crescimento. A indústria vai ter, no máximo, um crescimento entre 2% e 2,5%”, disse Andrade, ao acompanhar uma delegação de estudantes do Senai e Senac que foi recebida pela presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.

O comentário foi feito um dia depois de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ter divulgado que o Produto Interno Bruto (PIB) do País apresentou crescimento zero no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre. De forma isolada, o PIB da indústria caiu 0,9% no terceiro trimestre contra o segundo trimestre do ano.

Para o presidente da CNI, no entanto, o cenário permanece desfavorável. “Considerando uma taxa de juros elevada, uma importação muito acima do limite esperado, uma taxa de câmbio desfavorável, uma carga tributária elevada, todos esses aspectos foram agravados agora no quarto trimestre pela crise da Europa e dos Estados Unidos”, comentou. Andrade pede urgência na adoção de medidas de estímulo à economia, como os mecanismos de estímulo às exportações.

Pimentel

O presidente da CNI falou também sobre a contratação da consultoria de Fernando Pimentel, atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Segundo o jornal “O Globo”, um dos clientes da P-21 Consultoria e Projetos Ltda, de Pimentel, foi a Fiemg, justamente na época em que a federação mineira era presidida por Robson de Andrade. “Nós contratamos um homem experiente que vinha do setor privado, formado em economia e que teve uma experiência, uma vivência muito grande no setor público, em projetos e propostas de desenvolvimento”, disse Andrade.

Segundo o atual presidente da CNI, a Fiemg firmou um contrato com Pimentel para que ele auxiliasse a federação a preparar projetos e programas de desenvolvimento que pudessem ser apresentados ao poder público nas esferas estadual e federal, envolvendo questões como redução de carga tributária, além de melhoria das condições e do ambiente de trabalho, de investimento. Além disso, Pimentel teria realizado uma série de palestras em unidades regionais, a pedido da Fiemg, lembrou Andrade.

“Ele (Pimentel) nos deu uma contribuição muito grande pela sua larga experiência como homem público e pela sua experiência como economista e empresário”, explicou Andrade. Segundo o atual presidente da CNI, a experiência do atual ministro foi utilizada no aprimoramento de programas voltados para diversos segmentos da indústria mineira, como fogos de artifício, calçados, vestuário, moveleiro, joias e gemas. Robson Braga de Andrade ressaltou que Fernando Pimentel não era “nem ministro, nem prefeito” na época do contrato.