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Indústria brasileira perde ritmo e cresce 0,3% em 2011

Por mauricio lima - 31 jan 2012, 15h35

A produção industrial brasileira avançou 0,3% em 2011, muito abaixo da expansão de 10,5% de 2010, anunciou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta segunda-feira.

Em dezembro, a indústria brasileira avançou 0,9% sobre novembro, mas registrou um retrocesso (-1,2%) na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

“O setor industrial apresentou uma clara perda de ritmo a partir de abril”, informou o IBGE.

O resultado positivo de 2011 se deve principalmente a uma expansão de 1,7% na primeira metade do ano, já que, no segundo semestre, a produção desacelerou 1%.

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Os melhores resultados no ano aconteceram no setor automotivo (+2,4%), outros equipamentos de transporte (+8%) e indústrias de extração (+2,1%), enquanto que os piores foram a indústria têxtil (-14,9%), outros produtos químicos (-2,1%), calçados e artigos de couro (-10,4%) e máquinas, aparelhos e material elétrico (-3,7%).

As duas grandes causas da redução do ritmo na indústria brasileira foram a crise internacional e a valorização do real frente ao dólar, que favorece as importações, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

“Tivemos um crescimento muito grande em 2010 e esperávamos um crescimento baixo neste ano, mas não tão baixo”, declarou o presidente da CNI, Robson Braga, aos jornalistas em dezembro.

A CNI esperava que 2011 fechasse com uma expansão de 1,8%.

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A sexta economia mundial apresenta um desemprego de 4% que poderá chegar ao final de 2012 em 3,5% (contra 13% há dez anos) e uma previsão de crescimento de 4% para este ano – superior a do ano passado, apesar da crise na Europa, que se faz sentir em outras partes do mundo.

O Brasil possui ainda um sistema econômico que soube conciliar crescimento com inclusão social, elogiaram especialistas presentes no Fórum Econômico de Davos, na Suíça, encerrado neste fim de semana.

Durante o evento, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, ressaltou que a infraestrutura do Brasil é vista como o ponto fraco do país.

“O Brasil provavelmente investe 2,5% do PIB no setor, mas isso não é suficiente”, disse Moreno, lembrando que é mais caro transportar um container da Colômbia para o Brasil do que para o Canadá.

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O secretário-executivo do ministério brasileiro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alessandro Teixera, recordou que durante mais de duas décadas o Brasil vive um ‘apagão’ neste setor, tendo sido obrigado a reconstruir estradas, aeroportos e portos.

Outros desafios são a questão dos impostos cobrados no país e a reforma da Previdência Social, admitiu Teixeira.

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