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Bolsas chinesas têm maior queda em mais de três anos com medida de Trump

Principais índices acionários do país despencaram mais de 5% após presidente dos EUA anunciar tarifas de 25% sobre 200 bilhões de dólares em produtos

As bolsas da China tiveram seu pior resultado em três anos nesta segunda-feira, 6, após presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer na véspera que os EUA vão aplicar novas tarifas aos produtos chineses. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, e o índice Xangai caíram mais de 5% cada, registrando sua maior queda em um único dia desde fevereiro de 2016.

A fala de Trump teve repercussão em outros mercados asiáticos e da Oceania. Em Hong Kong, a bolsa teve queda de 2,9%. Em Taiwan, o principal indicador fechou em queda de 1,8%. Em Singapura, houve desvalorização de 3% e em Sydney, na Austrália, a bolsa recuou 0,82%. Por causa do feriado nacional no Japão, o índice Nikkey não teve pregão.

Europa

Na Europa, as bolsas abriram em queda de cerca de 2%.  A da Alemanha registrava queda de 1,79%, a francesa caía 1,8% na abertura e as bolsas da Itália e da Espanha, mais 1%.

No domingo, Trump surpreendeu os mercados globais com uma publicação no Twitter na noite de domingo anunciando que vai aumentar as tarifas dos EUA para 25% sobre os 200 bilhões de dólares (cerca de 788 bilhões de reais) em mercadorias chinesas nesta semana e terá como alvo centenas de bilhões em breve, dizendo que as negociações comerciais com a China estão indo devagar demais.

Os mercados haviam amplamente precificado as expectativas de que um acordo comercial seria alcançado em breve, reduzindo ainda mais a pressão sobre a economia chinesa, que recentemente mostrou sinais de estabilização.

Estimulando as expectativas de que a nova incerteza no comércio poderia levar a uma flexibilização monetária adicional, o banco central da China disse nesta segunda-feira que cortará a taxa de compulsórios para bancos de pequeno e médio porte.

Delegação chinesa vai aos EUA

A China afirmou nesta segunda que uma delegação está se preparando para ir aos Estados Unidos para negociações comerciais, depois que o presidente Trump aumentou a pressão sobre Pequim.

“Também estamos no processo de entender a situação relevante. O que posso dizer a vocês é que a equipe da China está se preparando para ir aos Estados Unidos para as discussões”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, em entrevista à imprensa.

Mas Geng não disse se o vice-premiê, Liu He, que é a principal autoridade da China nas negociações, fará parte da delegação como planejado originalmente.

“O que é de vital importância é que ainda esperamos que os EUA possam trabalhar com a China para se encontrarem no meio do caminho e que se empenhem para alcançar um acordo mutualmente benéfico com base em respeito mútuo”, disse Geng.