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Índia importa açúcar pela 1ª vez em dois anos – e compra é feita no Brasil

Usinas assinaram acordos para comprar até 450 mil toneladas para entrega de outubro a dezembro - a um preço de 500 dólares a tonelada

Usinas indianas assinaram acordos para comprar até 450 mil toneladas de açúcar bruto do Brasil para entrega de outubro a dezembro, à medida que aumenta a diferença entre os preços domésticos e os exteriores, abrindo espaço para a primeira importação em mais de dois anos, disseram cinco operadores à Reuters.

Usineiros a oeste e sul da Índia e tradings globais compraram açúcar por cerca de 500 dólares por tonelada (custo e frete) enquanto o preço no mercado doméstico subiu mais de 23%, para 680 dólares por tonelada, nos últimos três meses, disseram operadores nesta terça-feira.

A Índia, segundo maior produtor mundial depois do Brasil, importou a commodity pela última vez em 2009/10, levando os preços globais a máximas de 30 anos. O país do sul asiático tem exportado açúcar por dois anos consecutivos, uma vez que a produção superou a demanda. Desta forma, a mudança para as importações pode elevar os preços globais de açúcar.

Os futuros da commodity na bolsa de Nova York operaram em alta na segunda-feira, com chuvas no Brasil, principal produtor global. Um esperado aumento da oferta global, no entanto, manteve o mercado perto da mínima de dois anos, a 18,81 centavos atingida em 6 de setembro.

Nesta terça-feira, por volta das 9h15 (horário de Brasília), o contrato outubro em Nova York era cotado a 19,69 centavos por libra-peso, com alta de 0,9%. “A diferença de preço é tão alta que apesar de calcular o processamento e custos de operação, importadores podem ter lucros de mais de 60 dólares por tonelada”, disse um operador baseado em Mumbai, de uma traindo global.

A Índia deve produzir um excedente pelo terceiro ano consecutivo a partir de 1o de outubro, mas a produção deve cair fortemente no Estado de Maharashtra, afetado pela seca. “As usinas em Maharashtra não devem ter cana-de-açúcar suficiente. Por isso elas estão buscando açúcar bruto para utilização da capacidade instalada”, disse Ramal Jacina, diretor da corretora Ramal Jacina Traindo Servires.

A Índia, maior consumidor mundial de açúcar, atualmente cobra uma taxa de 10% sobre as importações de açúcar bruto, mas isso pode ser dispensado caso a usina tenha exportado a mesma quantia de açúcar dentro de três anos, disse Jacina. A produção de açúcar indiana em 2012/13 deve cair para 24 milhões de toneladas, ante as 26 milhões há um ano.

A Tailândia foi sondada como possível exportador de açúcar para a Índia, mas o país foi descartado devido aos altos preços da commodity no mercado tailandês, segundo operadores.

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(Com Reuters)