Independência chega antes de segurança financeira para 76% da Geração Z, diz pesquisa
Levantamento mostra que 44% apontam a instabilidade financeira como principal obstáculo para se sentirem plenamente adultos
A Geração Z tem conquistado autonomia de moradia antes de alcançar a segurança financeira desejada. É o que mostra a pesquisa inédita “GenZ faz 30 anos: o rito de passagem para a vida adulta”, realizada pelo InstitutoZ, núcleo de pesquisa da consultoria Trope-se, com aproximadamente 7 mil respondentes em todo o país.
Dados enviados exclusivamente a Veja Negócios afirmam que, entre os jovens de 26 a 30 anos, 47% já moram sozinhos ou com parceiros. Mesmo assim, 76% afirmam ainda não ter alcançado o sucesso financeiro que desejam. A independência financeira, por sua vez, passa de 15% aos 17 anos para 58% aos 30.
Segundo o estudo, a diferença entre autonomia de moradia e segurança financeira se torna mais evidente entre os jovens de 22 a 25 anos. Muitos deixam a casa dos pais antes de alcançar estabilidade econômica e recorrem a alternativas como repúblicas, moradias compartilhadas, coliving e divisão de aluguel com amigos ou parceiros.
“Esse achado é chamado de ‘waithood’, conceito criado originalmente para juventude no Oriente Médio”, explica Paula Cisneiros, antropóloga e head de Pesquisa do InstitutoZ. “Ele descreve a geração que atinge marcadores formais de autonomia, como sair de casa, mas fica numa espera prolongada e estrutural pelos marcadores materiais, como emprego estável e renda, que fechariam a transição.”
A pesquisa também aponta uma mudança nos critérios usados pela Gen Z para definir a vida adulta. Entre os jovens de 17 a 21 anos, os principais marcadores são ligados à autonomia psicológica, como resolver problemas sozinho e assumir responsabilidades. Já entre os 22 e 25 anos, a responsabilidade financeira passa a ser o principal indicador, citada por 70% dos entrevistados.
Nessa faixa etária, 44% apontam a instabilidade financeira como o principal obstáculo para se sentirem plenamente adultos. Além disso, 54% dizem se sentir atrasados em relação a outras pessoas e 58% afirmam que as redes sociais influenciam significativamente a forma como avaliam suas próprias trajetórias.
Entre os jovens de 26 a 30 anos, a responsabilidade financeira é citada por 75% como um dos principais marcadores da vida adulta. Ao mesmo tempo, 58% afirmam se sentir totalmente adultos.
Somado a isso, o levantamento mostra que mais da metade da Geração Z ainda mora com a família de origem. Apenas 11% vivem sozinhos e 14% moram com parceiros. Em relação à renda, cerca de 65% dos entrevistados estão em famílias com renda de até 5 mil reais, enquanto 7% estão em faixas superiores a 10 mil reais.
Para Luiz Menezes, CEO da Trope-se, os jovens continuam buscando autonomia e estabilidade, mas encontram um cenário diferente do vivido por gerações anteriores. “A busca acontece em um contexto em que os marcos tradicionais da adultidade se tornaram mais difíceis de sustentar e menos previsíveis do que para gerações anteriores”, afirma.





