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Indefinição política reacende risco sobre economia italiana

Votações no parlamento não mostram nenhum vencedor claro – mas evidenciam a subida de Berlusconi, para o pânico dos mercados

Por Da Redação 25 fev 2013, 21h14

As votações para a escolha dos membros do parlamento italiano terminaram na noite desta segunda, sem que houvesse, ainda, uma clara vitória. Apesar de Pier Luigi Bersani despontar na frente, representando a coalização de centro-esquerda, ainda não há garantias de que ele conquiste a maior parte das cadeiras – sobretudo devido à ascensão do ex-premiê Silvio Berlusconi e sua coalizão de centro-direita. Mario Monti, o tecnocrata que assumiu o governo após a saída de Berlusconi, sofreu nas urnas os efeitos de suas impopulares medidas de austeridade, ficando em quarto lugar na corrida eleitoral. O terceiro lugar ficou com o controverso Beppe Grillo, o candidato que se opõe ao euro e a todas as medidas de austeridade. Tal cenário é visto com apreensão pelo mercado – sobretudo se Berlusconi e Grillo se unirem para conseguir a maior parte das cadeiras do parlamento. “Isso deixará o mercado muito nervoso”, afirma um relatório publicado pelo Goldman Sachs que avalia todos os cenários políticos possíveis para a Itália.

Especialistas avaliam que a Itália é uma economia grande demais para cair em descrédito na Europa. Daí a necessidade de um governo amplamente apoiado em uma estratégia de corte de gastos que possa equilibrar a dívida do país. O endividamento italiano, de 127% do Produto Interno Bruto (PIB), é o segundo maior da Europa, perdendo apenas para o da Grécia, que está em 181,8% do PIB. A situação só não é mais grave porque, enquanto as principais economias europeias apresentam déficit orçamentário, a Itália é a única que conta com um superávit de 0,7%. “A Itália tem uma dívida alta histórica. Então, essa não pode ser a única forma de avaliar sua saúde fiscal. O país tem melhorado muito na questão orçamentária, desde a chegada do Monti”, afirma o economista Silvio Campos, da Tendências Consultoria.

O grande temor do mercado é que, diante de um cenário político desfavorável a reformas, o custo de financiamento da dívida italiana volte a atingir máximas históricas, como ocorreu em 2011, pouco antes da saída de Berlusconi. Em um período de grande turbulência na Europa, o prêmio de risco dos títulos italianos com vencimento em 10 anos – que é o porcentual que o governo do país tem de desembolsar para rolar sua dívida – saltou de 4% para mais de 7%, criando um verdadeiro pânico no mercado de títulos. Desta forma, economistas não descartam a possibilidade de que tal cenário volte a ocorrer, caso um governo contrário a medidas de austeridade seja eleito. “Os governantes já viram o que pode acontecer. A Itália já viu. Eles viram também o resultado de adotar medidas reformistas e promover ajustes, algo que foi benéfico para o país”, diz Campos.

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