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IGP-DI sobe 0,56% em março com preços de alimentos

Por Helio Barboza e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 9 Abr (Reuters) – O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) acelerou a alta para 0,56 por cento em março, o maior resultado desde setembro passado e depois de ter ficado praticamente estável em fevereiro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira. O movimento veio dos preços dos alimentos, que subiram tanto no atacado como no varejo.

Em 12 meses, o índice acumulou alta de 3,32 por cento, ante 3,38 por cento nos 12 meses até fevereiro.

“Os sinais inflacionários mostram que estamos saindo da fase do desaquecimento, que trouxe os preços para baixo no fim do ano passado e no começo desse ano, para uma transição”, avaliou o economista da FGV Salomão Quadros. “Pode ser o fim de um período de desaquecimento em razão da gradual recuperação da economia americana, ausência de sinais de um colapso na Europa esse ano. Os agentes econômicos ficam atentos para isso e os preços se movimentam.”

Segundo a FGV, no atacado, o destaque ficou para os preços dos alimentos processados, que subiram 0,36 por cento no mês passado depois de terem caído 1,06 por cento em fevereiro.

No varejo, o grupo Alimentação também saiu de deflação (-0,02 por cento) para inflação (+0,63 por cento) no período e foi o que mais contribuiu para a alta do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), sob o impacto da redução do ritmo de queda dos preços das carnes bovinas e da alta em hortaliças e legumes.

Houve destaque também para os preços da soja, que subiram fortemente com a quebra de safra no Sul do país e na Argentina. Para soja em grão, por exemplo, os preços passaram de queda de 0,09 por cento em fevereiro para uma alta de 10,90 por cento agora.

Somente a soja respondeu por aproximadamente 0,28 ponto percentual no IGP-DI e foi, de longe, o maior impacto individual.

LARANJA

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que havia registrado deflação de 0,03 por cento em fevereiro, passou a apresentar inflação em março, de 0,55 por cento. O índice calcula as variações de preços de bens agropecuários e industriais nas transações em nível de produtor e responde por 60 por cento do IGP-DI.

Segundo a FGV, a alta do IPA-DI foi influenciada pelo grupo Bens Finais, que saiu de uma queda de 0,02 por cento em fevereiro para uma variação positiva de 0,55 por cento no mês passado.

No grupo dos Bens Intermediários, os preços também aceleraram a alta, mas com menor intensidade, passando de 0,43 por cento em fevereiro para 0,48 por cento em março. Já as Matérias-Primas Brutas tiveram forte aceleração da alta de preços, o que levou a uma mudança de sinal do índice -de deflação de 0,64 por cento em fevereiro para inflação de 0,64 por cento em março.

Entre os componentes desses grupo, os preços da laranja, que haviam recuado 2,12 por cento em fevereiro, saltaram 21,79 por cento em março.

CARNES BOVINAS

No IPC-DI, a inflação de março ficou em 0,60 por cento, bem acima do 0,24 por cento de fevereiro. O índice mede a evolução dos preços às famílias com renda entre um e 30 salários mínimos mensais e corresponde a 30 por cento do IGP-DI.

Destacaram-se as carnes bovinas, subgrupo que reduziu o ritmo de queda dos preços de fevereiro para março, de 3,27 para 1,05 por cento. Hortaliças e legumes, que também haviam apresentado deflação em fevereiro, de 4,32 por cento, passaram para uma inflação de 0,26 por cento em março.

“Os preços das carnes têm a ver com demanda maior, maiores exportações, mas esse não é um período de alta porque estamos na safra”, declarou Quadros.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) avançou 0,51 por cento em março, após alta de 0,30 por cento em fevereiro. O índice representa 10 por cento do IGP-DI.

O item Materiais, Equipamentos e Serviços desacelerou a elevação dos preços para 0,32 por cento, ante 0,50 por cento em fevereiro. No entanto, o custo da mão de obra subiu 0,69 por cento em março, bem acima do 0,10% do mês anterior.

O IGP-DI é usado como referência para correções de preços e valores contratuais, sendo o indexador das dívidas dos Estados com a União. O índice também é diretamente empregado no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e das contas nacionais em geral.