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IGP-DI acelera para alta de 1,02% em abril–FGV

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO, 8 Mai (Reuters) – O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 1,02 por cento em abril, ante elevação de 0,56 por cento em março, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira. O movimento deveu-se principalmente aos preços de alimentos processados e materiais e componentes para a manufatura no atacado.

Essa foi a maior variação do IGP-DI desde novembro de 2010, quando atingiu 1,58 por cento. Em 12 meses, o índice acumula alta de 3,86 por cento, ante 3,32 por cento nos 12 meses até março.

Para o economista da FGV Salomão Quadros, o indicador não deve permanecer no patamar de 1 por cento, uma vez que a perspectiva é de que a pressão exercida pela soja nos últimos dois meses ceda. Em abril, o preço do grão, cujas safras de Brasil e Argentina sofreram uma quebra, subiu 11,27 por cento, ante 10,90 por cento em março.

“Dessa vez houve outros elementos como a pressão do câmbio e a alta de commodities industriais”, disse o economista à Reuters. “Mas a taxa não vai desabar, porque há algumas fontes de pressão”, acrescentou Quadros, referindo-se a petróleo, petroquímicos e commodities metálicas.

O IGP-DI é usado como referência para correções de preços e valores contratuais, sendo o indexador das dívidas dos Estados com a União. O índice também é diretamente empregado no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e das contas nacionais em geral.

Também nesta terça-feira, a FGV divulgou o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que acelerou para uma alta de 0,57 por cento na primeira quadrissemana de maio, depois de encerrar abril com elevação de 0,52 por cento.

Na quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga os dados de abril do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) -que serve de referência para a meta oficial de inflação. A meta oficial de inflação é de 4,5 por cento pelo IPCA.

Pesquisa da Reuters mostrou que a inflação provavelmente acelerou em abril. De acordo com a mediana de 21 previsões coletadas pela Reuters, o IPCA deve ter subido 0,59 por cento no mês passado, ante 0,21 por cento em março. As projeções variaram entre 0,55 e 0,65 por cento.

PRODUTOR

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI) registrou inflação de 1,25 por cento, após apresentar inflação em março de 0,55 por cento. O índice calcula as variações de preços de bens agropecuários e industriais nas transações em nível de produtor e responde por 60 por cento do IGP-DI.

Segundo a FGV, a alta do IPA-DI foi influenciada pelo grupo Bens Finais, que apresentou variação de 0,86 por cento em abril ante 0,55 por cento no mês anterior. O principal responsável pela elevação foi o subgrupo alimentos processados, cuja taxa passou de 0,36 por cento para 1,70 por cento.

O índice do grupo Bens Intermediários acelerou a alta para 1,74 por cento, ante 0,48 por cento em março. O principal responsável por este avanço foi o subgrupo materiais e componentes para a manufatura, cuja taxa de variação passou de 0,59 por cento para 2,18 por cento.

Já em Matérias-Primas Brutas foi registrada alta de 1,05 por cento em abril, ante 0,64 por cento em março. Os destaques foram café em grão (-9,96 por cento para -4,14 por cento), minério de ferro (-0,20 por cento para 1,35 por cento) e bovinos (-1,74 por cento para 0,06 por cento).

Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI), sofreu desaceleração ao registrar inflação em abril de 0,52 por cento, ante 0,60 por cento em março. O índice mede a evolução dos preços às famílias com renda entre um e 30 salários mínimos mensais e corresponde a 30 por cento do IGP-DI.

A maior contribuição para o decréscimo partiu do grupo Habitação, cuja taxa de variação atingiu 0,42 por cento, ante 1,03 por cento no mês anterior. Nesta classe de despesa, os destaques foram empregados domésticos (3,53 por cento para 0,57 por cento) e taxa de água e esgoto residencial (2,44 por cento para 0,00 por cento).

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) avançou 0,75 por cento em abril, após alta de 0,51 por cento em março. O índice representa 10 por cento do IGP-DI.

O item Materiais, Equipamentos e Serviços registrou variação de 0,52 por cento, ante 0,32 por cento em março. O índice que representa o custo da Mão de Obra variou 0,97 por cento, em abril, acima dos 0,69 por cento em março.