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Ibovespa tem espaço para alcançar recordes ainda maiores, dizem analistas

Avanço da agenda reformista, inflação controlada e juros baixos contribuem para impulssionar o índice a um novo patamar de até 125 mil pontos no fim do ano

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, a B3, ultrapassou nesta semana a barreira dos 100.000 pontos. Mais do que ser uma marca simbólica e almejada pelo mercado financeiro, ela revela um processo de melhora gradual e consistente do mercado acionário brasileiros ao longo dos últimos dois anos, de acordo com economistas e analistas.

A primeira vez que o índice superou o patamar dos seis dígitos foi na segunda-feira, 18, às 14h50, quando atingiu 100.038. No entanto, acabou recuando durante o dia e fechou abaixo da marca história. Nos dias seguintes, o sobe-e-desce continuou, e não ocorreu, até então, um dia com fechamento do pregão acima da barreira psicológica.

Entretanto, esse fato não tirou o ânimo dos especialistas, que ainda veem muito espaço para a valorização da bolsa de valores brasileira.

As projeções médias para o Ibovespa no final deste ano variam de 115.000 a 125.000 pontos, levando em consideração o cenário positivo mais provável, com a aprovação da reforma da Previdência __tema considerado crucial pelos investidores para fortalecer a confiança no Brasil e para a retomada do crescimento da economia do país.

“A reforma da Previdência é o maior marco dessa agenda reformista liberal do novo governo de Jair Bolsonaro. Sem ela, o perfil de endividamento do país sai de controle. E traz uma grande preocupação em relação ao que será o Brasil daqui dez anos”, afirma Karel Luketic, analista-chefe da XP Investimentos.

Especialistas sinalizam ainda como fatores positivos que oferecem sustentação para a valorização do Ibovespa: a inflação controlada, a taxa básica de juros da economia em mínima histórica e a entrada de capital estrangeiro no país, atraído pelas concessões realizadas pelo governo federal.

Caso a reforma da Previdência avance, ainda no primeiro semestre, sem muitas modificações no Congresso, as expectativas do mercado levam em consideração o início da discussão de uma possível reforma tributária ainda neste ano, dando continuidade à agenda reformista anunciada pelo governo de Jair Bolsonaro.

“A reforma tributária faz parte da agenda fiscal de prioridades do ministro da Economia, Paulo Guedes. Quanto mais rápido sair a aprovação da nova Previdência, mais rápido o governo vai conseguir tocar a questão fiscal. Fundamental para a manutenção do equilíbrio econômico”, afirma Ilan Arbetman, analista da corretora Ativa Investimentos.

Segundo Ricardo Peretti, estrategista de pessoa física do Santander Corretora, a reforma tributária é uma agenda positiva e deve tornar a economia brasileira mais competitiva, melhorando o interesse do investidor estrangeiro. “Ela deverá apresentar uma equalização de tributos, sem aumento da carga tributária.”

No entanto, de acordo com Peretti, a reforma tributária não deve sair tão cedo. “A reforma da Previdência ainda se arrasta no segundo semestre. E depois, virão as concessões e privatizações. Não vejo um cenário tão fácil para dar início à reforma tributária”, diz o especialista.

Espaço para valorização da bolsa

Um outro dado mostra que ainda há espaço para a valorização do mercado acionário brasileiro. Um estudo da Economática, empresa de informações financeiras, realizado no dia em que a bolsa ultrapassou os 100.000 pontos, ajustou ao longo dos anos a pontuação do Ibovespa pela inflação e revelou que o melhor momento do índice foi em 20 de maio de 2008, aos 135.497 pontos. Naquela época, o índice nominal estava em 73.516 pontos. Portanto, as ações estão, em média, 35% mais baixas hoje na comparação com os valores deflacionados de 2008.  

Da mesma maneira, quando o Ibovespa é ajustado para o dólar, o investidor estrangeiro ainda enxerga o índice barato hoje em dia. Isso porque, em 19 de maio de 2008, ele estava em 44.616 pontos, ante os atuais 26.822, segundo Einar Rivero, responsável pelo levantamento da Economática. “Ainda há espaço para o investidor estrangeiros entrar no mercado acionário brasileiro”, afirma.

Hora de investir e riscos

Como há espaço para a bolsa subir e indicadores se mostram favoráveis, analistas afirmam que ainda dá tempo de investir na compra de ações de empresas. “Quem ainda não tem ações, é hora de comprar. Mas isso não quer dizer que tem de investir apenas em ações. O ideal é que o investidor tenha um portfólio balanceado”, afirma Luketic.

Planejadores financeiros alertam que a compra de ações é considerada um investimento de alto risco. O mercado acionário é extremamente volátil, com variações diárias nos preços das ações, e não há garantia de retorno do que foi investido. O mais recomendado é diversificar os investimentos, aplicando um pouco, por exemplo, em fundos de renda fixa e CDBs, e outro montante na bolsa, segundo especialistas.

Entre as ações com grande potencial de valorização e que ainda podem impulsionar o Ibovespa, segundo analistas, estão as dos setores: bancário, de consumo e de varejo.  

Para entender o mercado acionário, confira aqui como funciona o Ibovespa e veja a transformação do pregão nos últimos anos.