Ibovespa vira e recua com Petrobras, mesmo após dados positivos dos EUA
Por volta das 12h30, o Ibovespa recuava 1,54%, aos 172.844,13 pontos
O Ibovespa abriu em alta nesta sexta-feira, 7, devido ao balanço positivo da Petrobras. No entanto, com o passar tempo o mercado virou com o investidores entendendo que esses resultados da estatal não se sustentam para os próximos trimestres e com um relatório do UBS apontado crise financeira para o Brasil em 2027. No exterior, os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos reduziram as apostas em uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed). Isso poderia favorecer a Bolsa brasileira, mas a perspectiva negativa para a Petrobras nos próximos trimestres dominou o cenário local.
Por volta das 12h30, o Ibovespa recuava 1,54%, aos 172.844,13 pontos. O dólar recuava 0,25%, cotado a 5,09 reais. As ações da Petrobras caíam 1,33%, a 41,57 reais. Na abertura, os papéis chegaram a subir 2%, alcançando 42,91 reais.
Na noite de quinta-feira, a companhia divulgou lucro líquido de 85 bilhões de reais no primeiro semestre de 2026, alta de 38% em relação ao mesmo período do ano passado. Considerando apenas o segundo trimestre, o lucro atingiu 52,4 bilhões de reais, crescimento de 97% na comparação anual.
Em dólares, a estatal registrou lucro líquido de 10,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, acima do consenso de mercado compilado pelo BTG Pactual, que projetava 7 bilhões de dólares.
Para os analistas do Safra, o balanço da Petrobras foi “excepcional”. Na avaliação da equipe, a companhia entregou forte crescimento de receita, lucro e geração de caixa, beneficiada pela valorização do petróleo e por um desempenho operacional acima das expectativas.
Apesar do resultado robusto, analistas ouvidos por VEJA Negócios avaliam que o segundo semestre pode apresentar desafios adicionais para a estatal, principalmente diante das incertezas sobre o preço do petróleo, a política de investimentos e o cenário eleitoral.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, comenta que essa perspectiva futura do mercado acabou pesando sobre a empresa, o que fez investidores a começarem a se desfazer dos papéis da estatal.
“Depois da reação inicial aos números, os investidores passaram a olhar a principalmente para a sustentabilidade desse resultado. Isso não indica que o balanço foi ruim, mas reflete o equilíbrio entre resultados operacionais muito fortes e dúvidas sobre petróleo nos próximos trimestres que serão marcados pela eleição”, afirma Lima.
Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, explica também que a queda em outras ações marca uma semana negativa para o Ibovespa. O analista destaca um relatório do UBS que aponta uma crise para o Brasil em 2027 devido as regras fiscais ineficientes. “Os grandes players passaram a vender diante desse cenário”, afirma Sant’Anna
Ibovespa ignora dados do mercado de trabalho dos EUA
Os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, conhecidos como payroll, vieram abaixo das expectativas. O consenso do Broadcast apontava para a criação de 80 mil vagas em julho, mas os números divulgados pelo Bureau of Labor Statistics mostraram o fechamento de 23 mil postos de trabalho no período.
Embora o resultado seja negativo para a economia americana, ele foi bem recebido pelos mercados financeiros. Um mercado de trabalho menos aquecido reduz a pressão inflacionária e diminui a necessidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve.
Após a divulgação dos dados, as apostas dos investidores negociadas na Bolsa de Chicago mudaram de direção. A probabilidade de uma alta de juros na reunião de setembro caiu para 42,1%, ante 55,0% no dia anterior. Já a chance de manutenção das taxas subiu para 57,9%, de 45,0%.
Com o mercado passando a precificar maior probabilidade de manutenção dos juros nos Estados Unidos, ativos de risco, como as ações brasileiras, ganham atratividade. No entanto, as questões internas pesaram mais e o Ibovespa passou a cair.
“Nem isso foi suficiente, o investidor segue o mau humor da semana com venda de Brasil. O problema é interno e não externo”, conclui Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing. Na próxima semana, a divulgação dos dados de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos deverá ajudar a calibrar as expectativas dos investidores para os próximos passos do Fed.







