Ibovespa sobe puxado por Itaú enquanto mercado aguarda Copom
Por volta das 12h, o Ibovespa subia 0,62%, aos 179.005,80 pontos
O Ibovespa opera em alta nesta quarta-feira, 5, impulsionado pelo forte avanço das ações do Itaú após o banco divulgar mais um balanço robusto, com inadimplência controlada, crescimento da carteira de crédito e elevada rentabilidade. Além disso, os investidores aguardam a decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O mercado espera um corte de 0,25 ponto percentual na Selic nesta noite, movimento que tende a favorecer os ativos de renda variável.
Por volta das 12h, o Ibovespa subia 0,62%, aos 179.005,80 pontos. O dólar recuava 0,18%, aos 5,12 reais. O avanço do índice é puxado principalmente pelo setor bancário, que representa cerca de 20% da carteira teórica do Ibovespa. No pregão, as ações do Santander avançavam 1,27%, as do Banco do Brasil subiam 1,19%, as do Bradesco registravam alta de 0,17% e os papéis do Itaú avançavam 2%.
O bom desempenho do setor ocorre após a divulgação do balanço do Itaú referente ao segundo trimestre de 2026. O banco reportou lucro líquido recorrente de 12,4 bilhões de reais no período, alta de 7,8% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. O resultado ficou praticamente em linha com o consenso reunido pelo BTG Pactual, que projetava lucro líquido de 12,5 bilhões de reais.
O banco comandado por Milton Maluhy Filho entregou mais um trimestre de resultados sólidos, com baixa inadimplência, elevada rentabilidade e crescimento das Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) abaixo da expansão da carteira de crédito.
Em entrevista coletiva concedida à imprensa nesta quarta-feira, 5, o CEO afirmou que o banco manterá uma postura cautelosa na concessão de crédito diante do cenário macroeconômico marcado por juros elevados e alto endividamento das famílias. Ainda assim, ressaltou que não espera aumento da inadimplência, uma vez que a carteira está concentrada em linhas de crédito consideradas mais resilientes.
Mercado também aguarda decisão do Copom
Além da temporada de balanços, o mercado acompanha a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que será anunciada na noite desta quarta-feira. A expectativa predominante entre os analistas é de um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa Selic dos atuais 14,25% para 14% ao ano.
O movimento é consenso entre os 68 investidores institucionais ouvidos em pesquisa da XP realizada entre 31 de julho e 4 de agosto. O levantamento reuniu gestores de recursos, economistas e consultores. Em média, os participantes atribuíram probabilidade de 86% a uma redução de 0,25 ponto percentual nesta reunião.
O percentual é inferior aos 94% precificados pelo mercado de opções na tarde de terça-feira, mas ainda indica que uma eventual manutenção da Selic seria recebida como surpresa pelos investidores.
Embora haja consenso sobre a decisão mais provável do Banco Central, o mercado se divide sobre qual seria a medida mais adequada. Segundo a pesquisa, 65% dos entrevistados defendem um corte de 0,25 ponto percentual, enquanto 31% acreditam que a taxa deveria permanecer em 14,25% ao ano.
A divergência é ainda maior entre os economistas. Nesse grupo, 54% consideram mais apropriado manter a Selic no nível atual. Entre gestores e operadores de mercado, apenas 15% compartilham dessa avaliação.
A cautela reflete, principalmente, as incertezas em relação ao comportamento da inflação nos próximos meses. O mercado espera que a projeção do Banco Central para o IPCA no horizonte relevante da política monetária — atualmente o primeiro trimestre de 2028 — fique próxima da meta de 3%. Por isso, além da decisão sobre os juros, os investidores acompanharão atentamente o comunicado do Copom em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.
Em suma, o Ibovespa avança impulsionado pelo desempenho do Itaú e pela valorização do setor bancário, enquanto os investidores permanecem atentos à decisão do Copom, que poderá definir o rumo dos mercados nos próximos meses.







