Ibovespa sobe e tenta recuperar perdas em meio à alta do petróleo e tensão entre EUA e Irã
Bolsa opera aos 167,8 mil pontos, enquanto investidores acompanham avanço do Brent para perto de US$ 94 e os possíveis impactos das tensões geopolíticas
O Ibovespa opera em alta nesta quinta-feira, 20, aos 167 805 pontos, em um movimento de recuperação após a volatilidade dos últimos pregões. A Bolsa brasileira acompanha o ambiente internacional, enquanto investidores monitoram a alta do petróleo e os impactos das tensões envolvendo o Irã sobre a inflação e a trajetória dos juros.
O movimento acontece em meio ao aumento das tensões geopolíticas envolvendo o Irã e ao risco de interrupções no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. O Brent avançava 2,35%, para 93,79 dólares por barril, elevando a preocupação com um possível choque de energia e seus efeitos sobre a inflação global.
Segundo Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, a alta do dólar frente ao real não acompanha um movimento generalizado de valorização da moeda americana. “O dólar avançava 0,22%, para R$ 5,19, enquanto o DXY recuava 0,06%. Essa divergência indica que a pressão sobre o real não resulta de uma valorização global da moeda americana, mas do aumento do prêmio exigido para permanecer em ativos brasileiros e emergentes. A ameaça de uma guerra econômica contra o Irã, o fechamento de Hormuz e a alta de 2,35% do Brent, para US$ 93,79, elevam o risco de um choque de energia. Petróleo mais caro pressiona combustíveis, fretes e inflação, reduzindo o espaço para cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos”, explica.
A alta do petróleo tem efeitos diferentes sobre as empresas brasileiras. De um lado, beneficia companhias produtoras, especialmente a Petrobras, por aumentar o valor da commodity. De outro, pode pressionar custos e reduzir as perspectivas de cortes de juros, o que afeta setores mais dependentes de crédito.
Outro ponto de atenção dos investidores está na trajetória dos juros americanos. A ata do Federal Reserve mostrou que vários dirigentes consideram a possibilidade de elevar as taxas, enquanto três integrantes já defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual.
Para Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, o ambiente internacional permanece dividido, com investidores monitorando principalmente os efeitos das tensões geopolíticas sobre commodities e inflação. “Os mercados apresentam movimentos mistos nesta manhã. Na Ásia, as bolsas fecharam em alta, enquanto na Europa os principais índices operam em queda — o Stoxx 600 recua cerca de 0,28%. Nos Estados Unidos, os futuros apontam para uma abertura negativa: o S&P 500 futuro cai 0,4%, o Nasdaq futuro recua 0,75% e o Dow Jones futuro registra queda de aproximadamente 0,5%” pontua.







