Ibovespa sobe com perspectivas sobre Ormuz, mas temporada de balanços limita ganhos
Americanos querem fazer acordo, mas iranianos negam a existência de conversas
O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira, 4, impulsionado pelo otimismo dos investidores com a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã para restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz. No entanto, o avanço do índice é limitado pela repercussão de uma temporada de balanços marcada por resultados negativos na última noite e pela expectativa em torno da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que será anunciada nesta quarta-feira.
Por volta das 11h30, o Ibovespa avançava 0,26%, aos 178.473,53 pontos. O dólar avançava 0,38%, aos 5,10 reais. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que Washington poderá chegar a um acordo com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz até quarta-feira, o que, na avaliação dele, ajudaria a estabilizar os preços da energia.
Bessent reforçou declarações feitas na segunda-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que a principal rota de escoamento de petróleo do mundo poderia ser reaberta em poucas horas, após reduzir o tom das ameaças de uma ofensiva militar contra o Irã.
“Estamos em negociações com os iranianos e acredito que há chances de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo para abrir o estreito e avançar rumo a uma posição mais normalizada neste conflito”, disse Bessent, em entrevista à CNBC.
Questionado sobre a possibilidade de o Irã cobrar pedágio dos navios que cruzam o estreito, o secretário respondeu que espera haver “liberdade de circulação”.
Apesar do otimismo demonstrado por autoridades americanas, o Ministério das Relações Exteriores do Irã negou que existam negociações com Washington. Além disso, um projétil não identificado atingiu um navio cargueiro no Estreito de Ormuz nesta terça-feira, reforçando a percepção de que a situação permanece instável.
Ainda assim, Bessent afirmou esperar uma normalização gradual do fluxo marítimo. Segundo ele, centenas de embarcações aguardam autorização para seguir viagem e parte delas já voltou a navegar.
“Embora a situação permaneça um pouco delicada nos últimos dias, vimos vários navios partindo inclusive agora. Espero que os preços da energia se estabilizem novamente, o que será bom para todos”, afirmou.
A perspectiva de uma redução das tensões no Oriente Médio favorece os mercados globais porque diminui o risco de novos aumentos no preço do petróleo. Com menor pressão sobre a inflação, cresce a expectativa de que os bancos centrais tenham mais espaço para reduzir os juros, cenário que costuma beneficiar ativos de risco, como as ações do Ibovespa.
Temporada de balanços limita ganhos
No mercado doméstico, a temporada de balanços impede um avanço mais consistente do Ibovespa. A maior queda do dia era da Marcopolo, cujas ações recuavam 7,75% após a companhia divulgar lucro líquido de 271,2 milhões de reais no segundo trimestre, queda de 15,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Analistas do Citi classificaram o conjunto dos resultados como fraco.
A BradSaúde também figurava entre as maiores baixas do pregão. As ações caíam 7,7% após a companhia divulgar lucro líquido de 1,1 bilhão de reais no segundo trimestre. Apesar do crescimento de 25% no lucro, a piora da sinistralidade decepcionou investidores. O indicador subiu de 82,2% para 83,8% em um ano, refletindo um aumento das despesas assistenciais em relação às receitas.
A Isa Energia também divulgou resultado abaixo do registrado um ano antes. A companhia apresentou lucro líquido regulatório de 173,9 milhões de reais no segundo trimestre, queda de 32%, e suas ações recuavam 1,04%.
Na ponta positiva, a BB Seguridade avançava 0,85% após reportar lucro líquido recorrente de 2,1 bilhões de reais no segundo trimestre. Embora o resultado represente uma queda de 3,9% na comparação anual, os números vieram em linha com as expectativas do mercado.
A CSN liderava os ganhos do Ibovespa, com alta de 6,87%. O movimento ocorre um dia após as ações despencarem 6,8% em reação à prévia operacional da companhia e ao rebaixamento da nota de crédito pela Fitch Ratings, de B para CCC+. A recuperação desta terça-feira é vista pelo mercado como um ajuste técnico após a forte queda da véspera.
Mercado aguarda decisão do Copom
Além da temporada de resultados, os investidores acompanham a expectativa pela decisão do Copom, marcada para esta quarta-feira, 5. O consenso do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14% ao ano.
O mais importante do que a decisão em si, porém, será o comunicado do Banco Central, que poderá indicar se há espaço para novas reduções dos juros nas próximas reuniões. Segundo o boletim Focus, a expectativa predominante é de mais um corte de 0,25 ponto percentual até o fim do ano, levando a Selic para 13,75% ao ano.
Em resumo, o Ibovespa acompanha o bom humor dos mercados internacionais diante da expectativa de uma redução das tensões no Oriente Médio, mas tem seus ganhos limitados por uma temporada de balanços que pressiona empresas relevantes e pela cautela dos investidores antes da decisão do Copom.







