Ibovespa sobe após presidente do Irã falar sobre fim da guerra contra os EUA
As negociações entre esses adversários de longa data permanecem suspensas, mas mercado se anima com sinalização iraniana
O Ibovespa opera em alta nesta sexta-feira, 21, em meio ao otimismo do mercado internacional com o presidente do Irã afirmando que deseja o fim da guerra contra os Estados Unidos. Além disso, a recompra de títulos americanos aumenta o apetite ao risco de investidores globais para países emergentes em meio a queda dos juros futuros nos Estados Unidos.
Por volta das 12h, o Ibovespa subia 1,82% aos 170.989,16 pontos. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta sexta-feira, 21, que é o momento adequado para acabar com quase seis meses de guerra com os Estados Unidos, aproveitando que Teerã está em uma posição vantajosa em relação a Washington.
As negociações entre esses adversários de longa data permanecem suspensas, e a situação no terreno também continua em um impasse, com o Irã mantendo o estratégico Estreito de Ormuz parcialmente fechado e os Estados Unidos persistindo em seu contra-bloqueio naval à República Islâmica.
“É melhor acabar com a guerra agora, enquanto estamos em uma posição de força e dignidade”, declarou Pezeshkian em reunião com profissionais da saúde. Segundo Eduardo Gonçalves, especialista da Aurum Wealth Management, o mercado entende essa fala como uma possibilidade de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã, o que retira o temor de inflação global e causa um novo alívio na curva de juros futuros.
“Esse cenário externo positivo é bom para os mercados emergentes, como o Brasil. Além disso, a Bolsa ensaia uma recuperação após 11 pregões seguidos de queda”, afirma Gonçalves.
Dólar cai com Tesouro dos EUA
Gianluca Di Matina, especialista em investimentos da hike capital, aponta que o possível fim da guerra no Oriente Médio não é o único fator para bom desempenho da B0lsa. A intervenção do Tesouro dos EUA derruba o dólar e faz investidores buscarem moedas emergentes. O dólar recuava 0,66% nesta sexta-feira, 21, a 5,16 reais.
O secretário Scott Bessent voltou a sinalizar recompras de bonds de prazo mais longo, que vêm sofrendo forte pressão vendedora desde o fim de junho, com o valor das operações podendo superar 4 bilhões de dólares. Segundo Bessent, o mercado teria reagido de forma exagerada à recente onda de vendas desses papéis.
“Esse tipo de intervenção, retomada pelo Tesouro americano desde 2024 como ferramenta de gestão de liquidez para títulos mais antigos e menos líquidos, ajuda a conter a pressão altista nos yields longos dos EUA”, explica Di Matina.
Ele comenta que os juros americanos mais controlados reduzem o diferencial de atratividade do dólar frente a outras moedas, favorecendo o apetite por ativos de risco e por moedas de mercados emergentes, como o real, o que contribui diretamente para o cenário mais construtivo observado hoje tanto na bolsa brasileira quanto no câmbio.







