Ibovespa sobe após dados econômicos dos Estados Unidos
EUA registram deflação em junho e investidores fazem as contas sobre juro americano
O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira, 13, após dados da variação de preços nos Estados Unidos melhores que o esperado. Os números diminuem a tese de um banco central americano mais duro com os juros, o que causa uma fuga de capital para os países emergentes, mesmo com a disparada do petróleo no mercado internacional.
Por volta das 12h, o Ibovespa subia 0,24%, aos 176.157,18pontos. O dólar recuava 1,23%, aos 5,07 reais. Os números registrados são reflexos dos dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês).
O índice, que mede a variação de preços na economia americana, teve deflação de 0,4%, o número foi melhor que o esperado pelo mercado, que estimava uma deflação de 0,1% em junho.
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto investimentos, o CPI veio melhor do que o esperado e reforça a percepção de que a inflação nos Estados Unidos continua perdendo força.
“Esse resultado reduz a necessidade de o FED manter uma política monetária tão restritiva e diminui as chances de novas altas de juros nos próximos meses, diz Lima. “Como consequência, os juros dos Treasuries tendem a recuar, o dólar perde força e cresce o interesse dos investidores por ativos de maior risco, como o Ibovespa”, explica Lima.
No entanto, o analista pondera que a continuidade desse movimento ainda dependerá da evolução da inflação nos Estados Unidos e da percepção sobre o risco fiscal brasileiro, que tende a ser volátil em meio ao ano eleitoral.
Petróleo sobe com taxa em Ormuz
Embora o Ibovespa opere em alta, os preços do petróleo seguem em alta firme. Os preços do petróleo sobem nesta terça-feira, 14, impulsionados pela entrada em vigor da tarifa de 20% imposta pelos Estados Unidos sobre as cargas transportadas por navios que cruzarem o Estreito de Ormuz. A escalada militar entre Washington e Teerã também reforça a aversão ao risco e amplia as preocupações com a oferta global da commodity.
Na segunda-feira, 13, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que todas as embarcações que atravessarem Ormuz deverão pagar aos Estados Unidos uma tarifa equivalente a 20% do valor da carga. A medida tende a elevar os custos do transporte marítimo de petróleo, pressionar os preços da commodity e aumentar os riscos de uma nova onda inflacionária em escala global.
Segundo o Exército americano, a cobrança entra em vigor nesta terça-feira às 20h GMT (17h no horário de Brasília). Diante desse cenário, por volta das 12h, o barril do petróleo avançava 1,96%, cotado a 84,93
dólares. Na sessão anterior, o Brent, referência internacional, já havia disparado 9,59%, encerrando o dia a 83,30 dólares por barril.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ironizou a proposta do presidente americano. “O Irã sempre foi o guardião do estreito e continuará sendo para sempre”, escreveu na rede social X.
“O presidente dos Estados Unidos está absolutamente certo. Quem garantir a passagem segura deve receber uma compensação”, afirmou, em tom irônico, antes de acrescentar: “Os 20% são, é claro, demais. Seremos justos”.
Apesar da intensificação dos confrontos, Trump voltou a afirmar, na noite de segunda-feira, durante entrevista na Casa Branca, que um acordo com o Irã ainda é “possível”.
Após quase 40 dias de bombardeios no conflito iniciado pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos em 28 de fevereiro, um cessar-fogo entrou em vigor no início de abril e foi formalizado em 17 de junho por meio de um protocolo de entendimento.
Entretanto, os ataques registrados nos últimos dias contra embarcações que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz colocaram fim à trégua. Diante da retomada das hostilidades, Trump declarou que o cessar-fogo “acabou”, aumentando a percepção de risco nos mercados globais.







