Ibovespa sobe após 11 quedas seguidas, mas petróleo e tensão entre EUA e Irã limitam recuperação
Bolsa brasileira avança 1,68% aos 169,1 mil pontos, enquanto investidores acompanham ata do Fed, queda do dólar e novas pressões sobre o petróleo
O Ibovespa avançava 1,82%, aos 169.366,42 pontos por volta das 12 horas, desta quarta-feira, 19, interrompendo uma sequência de 11 sessões consecutivas de queda. A alta ocorre após uma perda acumulada próxima de 7% e, por enquanto, é vista mais como uma recomposição de posições do que como uma reversão definitiva da trajetória recente da Bolsa.
A recuperação dos ativos brasileiros acontece em um cenário de dólar mais fraco. A moeda americana recuava 0,36%, para 5,2 reais, reduzindo a pressão sobre empresas brasileiras endividadas em dólar ou dependentes de insumos importados. Para Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, o movimento também está relacionado à expectativa pela ata do Federal Reserve. Caso o documento indique manutenção dos juros americanos até o fim do ano, a atratividade dos títulos dos Estados Unidos pode diminuir marginalmente, abrindo espaço para uma recuperação de ativos de mercados emergentes.
Um dos principais pontos de atenção está no petróleo. O Brent avançava cerca de 0,5%, negociado próximo de 91,50 dólares por barril, diante das incertezas relacionadas às negociações entre Estados Unidos e Irã e aos possíveis desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
O movimento tem efeitos diferentes sobre a Bolsa brasileira. De um lado, a valorização do petróleo beneficia Petrobras e outras empresas do setor, que possuem peso relevante no Ibovespa. De outro, a alta da commodity pode pressionar a inflação, os custos de transporte e os preços de diversos insumos. “O mesmo petróleo que ajuda o índice pelo peso das commodities pode impedir uma alta mais ampla ao limitar cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos”, afirma Murad.
Além disso, os juros longos dos Estados Unidos continuam pressionados, enquanto as negociações entre Washington e Teerã permanecem travadas. O cenário cria uma combinação de fatores que pode dificultar uma recuperação mais consistente dos mercados.
Bolsas americanas operam sem direção única
No exterior, as bolsas americanas apresentam movimentos mistos nesta manhã. O futuro do Dow Jones avançava 0,08%, enquanto o S&P 500 futuro operava próximo da estabilidade e o Nasdaq futuro recuava cerca de 0,1%. O comportamento ocorre após uma sessão negativa em Wall Street, marcada pelo ajuste de posições diante das incertezas geopolíticas e das negociações entre Estados Unidos e Irã.
Novas informações sobre possíveis movimentações e tensões entre os dois países aumentaram a cautela dos investidores e pressionaram ativos considerados de maior risco. Para Bruno Yamashita, Coodenador de Alocação e Inteligência da Avenue, o mercado americano começa o dia atento principalmente aos desdobramentos geopolíticos, à comunicação do Federal Reserve e aos próximos sinais sobre a trajetória dos juros. A divulgação da ata do Federal Reserve é o principal evento da agenda econômica desta quarta-feira. O documento deve trazer mais detalhes sobre a avaliação dos dirigentes do banco central americano em relação à economia e aos próximos passos da política monetária.







