Ibovespa sobe 0,81% com alívio na inflação brasileira
Bolsa acompanha cenário externo e repercute IPCA-15 abaixo do esperado; petróleo recua em meio a possível acordo sobre Estreito de Ormuz
O Ibovespa opera em alta de 0,81% nesta quarta-feira, 26, aos 176 203 pontos, apoiado pela leitura mais favorável da inflação brasileira e pelo ambiente externo. O mercado também acompanha o recuo do petróleo em meio às negociações envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global da commodity.
O IPCA-15 registrou deflação de 0,40% em agosto, ante expectativa de queda de 0,32%. Em 12 meses, o indicador desacelerou de 4,52% para 4,24%. O resultado reforça as apostas de que o Banco Central poderá voltar a cortar a Selic em setembro, favorecendo principalmente empresas mais sensíveis aos juros.
Para Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, o movimento da Bolsa também deve ser observado em conjunto com a agenda econômica dos Estados Unidos. “O mercado está em um ambiente de espera, com os investidores buscando novos sinais sobre inflação, atividade econômica e juros. A divulgação dos próximos indicadores americanos pode definir o tom dos ativos ao longo dos próximos pregões”, afirma.
No exterior, as bolsas europeias operam em alta, enquanto os mercados asiáticos encerraram o dia sem direção única. Nos Estados Unidos, os futuros apresentam movimentos mistos, com alta de 0,11% no Dow Jones, estabilidade no S&P 500 e queda de 0,26% no Nasdaq. Entre os eventos mais aguardados está o balanço da Nvidia, previsto para depois do fechamento do mercado.
O petróleo, por sua vez, recua cerca de 2,5%, com o Brent negociado próximo de 86 dólares por barril. A queda ocorre diante da possibilidade de um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã. O movimento ajuda a aliviar parte das preocupações relacionadas aos custos de energia e à inflação global.
Entre as ações brasileiras, Oncoclínicas ganha destaque após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinar a realização de uma oferta pública de aquisição (OPA). A possibilidade de uma oferta próxima de 16 reais por ação, contra uma cotação recente em torno de 1,67 reais, provoca forte valorização do papel, embora o impacto sobre o Ibovespa seja limitado pelo baixo peso da companhia no índice.
No câmbio, o dólar oscila perto da estabilidade, na casa de 5,14 reais. A moeda americana segue sensível tanto aos dados de inflação dos Estados Unidos quanto às perspectivas para os juros do Federal Reserve. “O movimento atual mostra que os mercados estão reagindo a vetores diferentes ao mesmo tempo. No Brasil, a inflação mais comportada melhora a percepção sobre os juros; no exterior, petróleo, geopolítica e a agenda econômica americana continuam adicionando volatilidade”, diz Yamashita.







