Ibovespa recua após corte da Selic e mercado avalia próximos passos do Copom
Bolsa opera em baixa mesmo após redução dos juros, enquanto investidores acompanham sinalizações do Banco Central e cenário externo
O Ibovespa operava em queda nesta quinta-feira, 6, após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a taxa Selic para 14% ao ano, movimento já amplamente esperado pelo mercado. Por volta do fim da manhã, o principal índice da B3 recuava 0,54%, aos 176 771 pontos.
Na avaliação de Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, o corte de 0,25 ponto percentual teve impacto limitado sobre a Bolsa porque já estava precificado pelos investidores. O foco agora está nas próximas decisões do Banco Central. “O Ibovespa recuava 0,33%, aos 177.145,77 pontos, enquanto o dólar caía 0,43%, para R$ 5,108. Esses dois movimentos mostram que uma decisão já precificada não provoca necessariamente uma reação uniforme nos mercados. A Selic em 14% já estava no preço. O que faltou ao investidor foi uma sinalização mais clara de que setembro traria automaticamente o quinto corte consecutivo da taxa de juros”, afirma.
Segundo o especialista, a ausência de indicações sobre o ritmo da flexibilização monetária limita o impacto positivo para a renda variável, já que as ações refletem expectativas para os juros de longo prazo. “Para a Bolsa, isso faz diferença porque o valor das empresas incorpora a expectativa de juros de vários meses e anos à frente. Se o ritmo de redução da Selic se torna menos previsível, a queda imediata de 0,25 ponto tem impacto limitado sobre essa conta”, explica.
No exterior, os mercados também adotam postura cautelosa. Segundo Bruno Yamashita, Coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, os investidores aguardam novos desdobramentos das negociações envolvendo o conflito no Oriente Médio, especialmente em relação ao Irã, além de monitorarem indicadores da economia americana. Apesar das sinalizações sobre uma possível reabertura do Estreito de Ormuz, o petróleo continua refletindo o prêmio de risco geopolítico, com o Brent sendo negociado próximo de 80 dólares por barril. “O mercado também repercute os dados mais fracos do emprego privado nos Estados Unidos. O relatório ADP mostrou a criação de 44 mil vagas em julho, abaixo das expectativas, reforçando a percepção de uma desaceleração gradual do mercado de trabalho americano”, afirma Yamashita.
Segundo o coordenador, o cenário tem impulsionado ativos considerados mais seguros, como o ouro, enquanto os investidores permanecem à espera dos próximos indicadores econômicos e de novos sinais sobre a política monetária americana.







